Economia / Dívidas
Governo lança Desenrola 3.0 para renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas das famílias
Nova etapa prevê compra de carteiras de crédito com até 90% de deságio; governo estima desembolso de R$ 15 bilhões e leilão em novembro
25/09/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) uma nova etapa do Desenrola, programa voltado à redução do endividamento das famílias. Batizada de Desenrola 3.0, a iniciativa pretende alcançar até R$ 150 bilhões em dívidas de pessoas físicas, principalmente débitos de cartão de crédito e empréstimos pessoais sem consignação.
O modelo será diferente das etapas anteriores. Em vez de o consumidor negociar individualmente com cada instituição financeira, a proposta prevê que o poder público adquira carteiras de créditos inadimplentes dos bancos com elevado desconto. A expectativa apresentada pelo governo é conseguir um deságio de aproximadamente 90%, o que representaria desembolso estimado de R$ 15 bilhões para uma carteira nominal de R$ 150 bilhões. Antes do anúncio, integrantes do governo já haviam confirmado que a nova versão do programa seria baseada na compra de dívidas antigas com descontos elevados.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, poderão entrar no programa dívidas de até R$ 10 mil, com atraso entre dois e quatro anos e meio. O foco estará no cartão de crédito, tanto no rotativo quanto no parcelado, e no crédito pessoal sem desconto em folha.
“Então nós estamos falando de limpar dessa carteira 150 bilhões em dívida, é muito forte, é muito potente para que essas famílias possam recomeçar”, afirmou Moretti durante o anúncio.
A previsão é realizar em novembro um leilão para aquisição das carteiras. As instituições financeiras interessadas apresentarão suas propostas e os descontos oferecidos sobre os valores originais das dívidas.
A operação deverá ser conduzida pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira federal. Segundo o governo, a intenção é transferir para os consumidores os descontos obtidos na aquisição dos créditos.
“Em vez da gente criar um processo no qual cada pessoa, cada membro da família vai até o banco tentar renegociar sua própria dívida, aqui nós temos o Estado brasileiro, o governo federal fazendo aquisição de carteiras de dívidas das instituições financeiras”, explicou Moretti.
A estimativa apresentada é de que as modalidades de crédito abrangidas pelo programa acumulem aproximadamente R$ 300 bilhões em débitos. A meta é alcançar metade desse montante.
O pacote também prevê medidas regulatórias do Banco Central para aumentar os controles sobre a concessão de crédito e tentar reduzir situações de superendividamento.
Esta será a terceira rodada do programa. Nas versões anteriores, o processo dependia da negociação entre devedores e credores, com condições oferecidas pelas instituições participantes.
Agora, a estratégia anunciada pelo governo desloca a negociação para a aquisição de carteiras de crédito já bastante depreciadas em razão do longo período de inadimplência.
O desenho operacional definitivo, incluindo regras para participação, critérios de elegibilidade dos devedores e forma de pagamento das dívidas renegociadas, dependerá da regulamentação do programa.
O anúncio do Desenrola 3.0 faz parte de um pacote econômico apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira. Entre as medidas está a Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, abrangendo apostas esportivas e jogos on-line.
A MP estabelece um período de transição para encerramento das operações. Dez dias após a publicação, as empresas deverão tornar indisponíveis seus sites e aplicativos destinados às apostas. A norma também impede novas autorizações e determina a extinção das atuais ao final do prazo de 30 dias previsto no texto.
Além da MP, o governo anunciou o envio de um projeto ao Congresso Nacional para estabelecer sanções penais relacionadas à exploração e à divulgação ilegal das apostas. Diferentemente da medida provisória, essas mudanças penais dependerão de aprovação dos deputados e senadores para entrar em vigor.
As duas frentes anunciadas nesta sexta-feira, o novo Desenrola e a proibição das bets, foram apresentadas pelo governo como medidas destinadas a reduzir o comprometimento da renda e o endividamento das famílias brasileiras.
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