Política / Relações Exteriores
Congressistas dos EUA acusam governo Trump de interferência nas eleições brasileiras
Carta de 30 deputados e do senador Bernie Sanders cobra explicações de Marco Rubio e pede compromisso dos EUA com o resultado das urnas em outubro
24/09/2026
16:45
DA REDAÇÃO
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Um grupo de 31 integrantes do Congresso dos Estados Unidos enviou nesta quinta-feira (24) uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, questionando medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump em relação ao Brasil. Os parlamentares afirmam que as ações representam uma tentativa de interferir no processo eleitoral brasileiro e cobram o compromisso de Washington de respeitar o resultado das eleições de outubro.
O documento foi assinado por 30 deputados democratas e pelo senador independente Bernie Sanders. A iniciativa partiu da deputada Delia Ramirez e teve participação, entre outros, de Pramila Jayapal e Jesús “Chuy” García.
Na carta, os congressistas classificam a atuação da administração Trump como uma campanha de pressão diplomática, econômica e política contra o Brasil. Essa é uma avaliação dos autores do documento, não uma conclusão oficial sobre eventual interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
Entre os episódios mencionados estão medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros e sanções impostas a autoridades do país. Os parlamentares relacionam parte dessas decisões à reação do governo Trump ao processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os congressistas também mencionam uma nova rodada de tarifas adotada em julho de 2026, com base na legislação comercial norte-americana, além de outras medidas diplomáticas que, na interpretação dos signatários, aumentaram a pressão sobre as instituições brasileiras durante o período eleitoral.
Segundo a carta, em vez de contribuir para a proteção da democracia brasileira, essas iniciativas poderiam enfraquecer a confiança no processo eleitoral e provocar novos danos à relação entre os dois países.
Outro ponto levantado pelos congressistas é a decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O Departamento de Estado anunciou a medida em 28 de maio de 2026, dois dias depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Trump, Rubio e o vice-presidente JD Vance em Washington. Na ocasião, Flávio declarou publicamente que havia pedido ao presidente norte-americano a inclusão das duas facções na lista de organizações terroristas.
O próprio Departamento de Estado informou que PCC e CV seriam classificados como Specially Designated Global Terrorists e que a designação como Foreign Terrorist Organizations entraria em vigor em 5 de junho. A decisão foi justificada pelo governo norte-americano pela violência atribuída aos grupos e pela atuação de suas redes criminosas além das fronteiras brasileiras.
A proximidade temporal entre a reunião de Flávio e a decisão norte-americana é citada pelos congressistas como parte do contexto de suas preocupações. Isso não significa, por si só, que a classificação tenha ocorrido exclusivamente por solicitação do senador brasileiro.
A carta também questiona Marco Rubio diretamente sobre a postura que o governo Trump adotará diante das eleições brasileiras.
Os congressistas pedem que o Departamento de Estado esclareça se a administração norte-americana se comprometerá a respeitar o processo eleitoral e aceitar o resultado das urnas brasileiras. Eles solicitaram uma resposta até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Os autores ainda relacionam o episódio brasileiro a outras iniciativas recentes da administração Trump na América Latina que, segundo eles, configurariam um padrão de interferência em processos políticos da região. A carta menciona eleições na Argentina, Honduras e Colômbia.
Até a publicação das informações disponíveis nesta quinta-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos não havia apresentado resposta pública à carta dos congressistas.
O documento surge a dez dias do primeiro turno brasileiro e amplia para dentro do Congresso dos Estados Unidos o debate sobre a atuação do governo Trump em relação ao processo eleitoral do Brasil.
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