Segurança / Institucional
Diretor-geral da PF reage a críticas e afirma que corporação não protege nem persegue investigados
Andrei Rodrigues defendeu autonomia e atuação técnica da Polícia Federal durante formatura de 683 novos agentes, em meio a divergências com o STF e críticas de Lula
28/08/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (28) que a instituição atua com autonomia, sem interferência política e sem escolher quem deve ser protegido ou investigado. A manifestação ocorre em um momento de tensão envolvendo a corporação, o Supremo Tribunal Federal (STF) e declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre supostos vazamentos de investigações.
A declaração foi feita durante a cerimônia de conclusão dos cursos de formação de 683 novos policiais federais. No discurso, Andrei reforçou que as ações da instituição devem seguir exclusivamente a Constituição Federal e a legislação brasileira.
“Nessa gestão, trabalhamos com transparência e foco na missão constitucional, sem proteger ou perseguir”, afirmou o diretor-geral.
Ao se dirigir aos novos integrantes da corporação, Andrei também defendeu a necessidade de manter distância de interesses político-partidários.
“Nunca se esqueçam que atuação técnica, imparcial, livre de qualquer viés político, é o que nos permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha”, declarou.
O posicionamento ocorre em meio a divergências entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça, do STF, relacionadas às investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre os pontos de atrito estão determinações relacionadas ao encaminhamento de documentos das investigações ao Supremo e ao controle sobre eventuais alterações na equipe responsável pelas apurações.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Mendonça determinou que a PF encaminhasse ao STF documentos brutos produzidos nas investigações. Também estabeleceu que eventuais mudanças na equipe responsável pelo trabalho fossem previamente submetidas à sua autorização.
Diante das determinações, a corporação procurou a Advocacia-Geral da União (AGU) na tentativa de reverter as medidas.
Andrei Rodrigues também se manifestou sobre o assunto e sustentou que não interfere na condução técnica dos inquéritos pelos delegados responsáveis.
Outro componente da crise institucional envolve investigações relacionadas ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.
A PF solicitou novas frentes de apuração envolvendo suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas a contratos da Dataprev e do Ministério da Saúde.
As suspeitas estão em fase de investigação e não significam comprovação de crime ou responsabilidade dos envolvidos.
O gabinete de André Mendonça, relator do caso no Supremo, vem solicitando esclarecimentos sobre a condução das diligências e o tempo empregado nas investigações. A Polícia Federal, por sua vez, sustenta que os procedimentos seguem critérios técnicos.
Em 6 de agosto, os 27 superintendentes regionais da PF divulgaram uma manifestação conjunta reafirmando o compromisso da instituição com a Constituição, a legalidade e a independência das investigações.
A tensão ganhou um novo capítulo na noite de quinta-feira (27), quando Lula criticou publicamente a Polícia Federal durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.
Ao responder a perguntas relacionadas às investigações envolvendo seu filho, o presidente acusou integrantes da corporação de repassarem informações sigilosas à imprensa.
“A PF está vazando as coisas para a imprensa”, afirmou Lula.
O presidente se referia às apurações que investigam suspeitas de que Lulinha teria atuado para facilitar o acesso de empresários a setores do governo em troca de vantagens financeiras.
Lula afirmou, ao mesmo tempo, que não pretende interferir nas investigações e que o filho deverá responder pelos próprios atos caso alguma irregularidade seja comprovada.
É nesse cenário que a declaração de Andrei Rodrigues ganha peso institucional. Sem direcionar a manifestação nominalmente ao presidente ou a integrantes do Supremo, o diretor-geral enfatizou a autonomia e a imparcialidade como fundamentos da atuação da PF.
A solenidade desta sexta também marcou o reforço do quadro de servidores da instituição com 683 novos policiais federais.
A turma é composta por 195 delegados, 113 peritos criminais federais, 333 escrivães e 42 papiloscopistas.
Os cursos começaram em 18 de maio e tiveram mais de 650 horas de atividades teóricas e práticas. A formação profissional constitui a última etapa do processo seletivo para ingresso na Polícia Federal e possui caráter eliminatório.
Participaram da cerimônia, além de Andrei Rodrigues, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.
A chegada dos novos servidores amplia o efetivo disponível para diferentes áreas da instituição. Ao mesmo tempo, o discurso feito na cerimônia colocou no centro do debate a independência das investigações justamente quando a Polícia Federal enfrenta questionamentos vindos tanto do Palácio do Planalto quanto de decisões relacionadas a processos em andamento no Supremo.
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