Economia / Negócios
Mudanças no Simples Nacional acendem alerta para pequenas empresas em 2027
Novo calendário, fim do regime de caixa e regras do split payment exigem planejamento de MEIs e pequenas empresas ainda em 2026.
25/08/2026
20:15
SIMPI
O ano de 2027 trará mudanças relevantes para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. Alterações no calendário do Simples Nacional, novas exigências relacionadas à apuração tributária e os efeitos da reforma tributária colocam o planejamento financeiro e fiscal no centro das decisões que precisam começar ainda em 2026.
Além das mudanças tributárias, pequenos negócios continuam enfrentando dificuldades para absorver a inflação, preservar margens, conseguir crédito e separar corretamente as finanças pessoais das empresariais. Outro setor que começa a abrir novas perspectivas para empresas brasileiras é o de terras raras, minerais estratégicos para indústrias de alta tecnologia.
Confira os principais assuntos que exigem atenção dos empresários.
Empresas que não estiverem enquadradas no Simples Nacional e pretendam ingressar ou retornar ao regime em 2027 precisarão observar uma mudança importante no calendário. O período indicado para solicitação passa de janeiro para 1º a 30 de setembro de 2026.
A alteração é especialmente relevante para empresas que receberam Termo de Exclusão ou possuem débitos e outras irregularidades capazes de impedir o enquadramento. Quem já estiver regularmente no Simples não precisará apresentar uma nova opção apenas para permanecer no regime.
O SIMPI orienta os empresários a aproveitarem agosto para verificar a situação fiscal, já que eventuais impedimentos podem existir nas esferas federal, estadual ou municipal. Consultar somente a situação perante a Receita Federal, portanto, pode não identificar todos os problemas.
Caso a solicitação seja indeferida, a empresa poderá ter até 30 dias corridos, contados da ciência do Termo de Indeferimento, para regularizar os impedimentos. Dependendo do débito, também poderá existir possibilidade de parcelamento, desde que sejam cumpridas as condições previstas, incluindo o pagamento da primeira parcela.
Para quem precisa entrar ou retornar ao regime, perder a janela de setembro pode comprometer o enquadramento durante 2027. Por isso, a recomendação é antecipar a consulta e resolver pendências antes do fim do prazo.
Assista: https://youtu.be/afEac9lEPUc
Outra mudança prevista para janeiro de 2027 envolve a forma de apuração tributária das empresas optantes pelo Simples Nacional. Segundo o material, elas deverão utilizar o regime de competência, deixando de utilizar o regime de caixa.
A diferença entre os modelos está no momento em que a receita é considerada para efeito tributário. Pelo regime de caixa, a tributação acompanha o recebimento do dinheiro. No regime de competência, a receita entra na apuração quando é registrada, mesmo que o cliente pague posteriormente ou de forma parcelada.
Na prática, uma venda realizada em determinado mês poderá produzir obrigação tributária naquele período mesmo que o pagamento seja recebido posteriormente.
Para o advogado Marcos Tavares, o novo cenário amplia a necessidade de controle sobre emissão de notas fiscais, recebimentos e obrigações tributárias. O empresário poderá precisar recolher tributos antes de receber efetivamente o dinheiro do cliente, aumentando a importância do planejamento do fluxo de caixa.
Assista: https://youtu.be/WuOkJJn2qGU
Além das mudanças tributárias, MEIs, microempresas e pequenas empresas enfrentam um problema cotidiano: o aumento dos custos nem sempre consegue ser integralmente transferido para o consumidor.
Segundo o auditor e perito contador Vitor Stankevicius, o empresário precisa observar tanto os preços dos concorrentes quanto o limite que o mercado aceita pagar. Quando insumos e mercadorias ficam mais caros e o preço final não acompanha a mesma proporção, a consequência é redução da margem de lucro.
O crédito também representa um desafio. Pequenos negócios normalmente possuem menos alternativas de financiamento e podem enfrentar juros capazes de comprometer uma parcela significativa do caixa.
Outro problema destacado é o chamado “erro do bolso único”, quando o empreendedor mistura recursos do CNPJ com despesas particulares.
Sem a separação, torna-se mais difícil saber quanto a empresa efetivamente faturou, quanto gastou e qual foi o lucro obtido. A orientação é manter as despesas empresariais separadas das pessoais e estabelecer uma retirada definida para o proprietário, como o pró-labore.
Conhecer o custo de cada produto ou serviço, calcular corretamente a margem e acompanhar o fluxo financeiro são medidas fundamentais para evitar que aumento de faturamento seja confundido com crescimento real do lucro.
Assista: https://youtu.be/Vx3yHjewiTo
Em meio às alterações previstas para 2027, uma regra apresentada como favorável aos pequenos negócios envolve o split payment.
As empresas que permanecerem 100% enquadradas no modelo tradicional do Simples Nacional, recolhendo IBS e CBS dentro da guia única do DAS, ficarão fora da retenção automática desses tributos no pagamento das vendas, segundo o material.
A situação muda para empresas que optarem pela apuração de IBS e CBS pelo regime regular, inclusive com o objetivo de permitir geração de créditos tributários aos clientes. Nesse caso, estarão sujeitas às regras aplicáveis ao split payment.
Para quem permanecer integralmente no Simples tradicional, a ausência dessa retenção automática tende a preservar maior disponibilidade imediata dos recursos das vendas no caixa.
A escolha entre permanecer no modelo tradicional ou adotar uma estrutura híbrida, entretanto, exige análise individual. Perfil dos clientes, aproveitamento de créditos tributários, preços praticados e margem do negócio precisam entrar no cálculo antes da decisão.
Assista: https://youtu.be/rAAHUWeJKJI
Fora da área tributária, um setor estratégico começa a chamar atenção de empresas e investidores: o mercado de terras raras.
Esses minerais são utilizados na produção de celulares, baterias, veículos elétricos, componentes eletrônicos e outras tecnologias avançadas. Apesar do potencial brasileiro, apenas cerca de 30% do território nacional teria sido pesquisado quanto à ocorrência desses recursos, conforme o material.
O Instituto Nacional de Terras Raras (INTR) trabalha na identificação de novas ocorrências. Entre 2025 e maio de 2026, mais de 40 empresas teriam sido identificadas com presença desses minerais até então desconhecida.
O desafio econômico não termina na extração. Para gerar maior impacto no País, a cadeia precisa transformar os recursos minerais em tecnologia, produtos industrializados, empregos e renda.
Nesse processo, pequenas e médias empresas podem encontrar oportunidades em áreas como pesquisa, inovação, tecnologia, serviços especializados e fornecimento para a indústria.
A combinação entre novas regras tributárias e oportunidades em setores emergentes mostra que decisões importantes para 2027 já começam a ser tomadas em 2026. Para os pequenos empresários, antecipar informações, organizar o caixa e avaliar cuidadosamente cada mudança pode fazer diferença na competitividade do negócio.
Assista: https://youtu.be/PmLqeOGDmL0
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