Política / Investigação
Lula defende investigação sobre Lulinha e diz que não interfere na Polícia Federal
Presidente afirma que filho não terá privilégio diante de apurações e defende presunção de inocência, direito de defesa e atuação independente das instituições
24/08/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pretende interferir no trabalho da Polícia Federal (PF) e defendeu que eventuais suspeitas envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sejam investigadas. Ao comentar a atuação das instituições, Lula declarou que “ninguém está acima da lei”, mas ressaltou que uma investigação não representa condenação.
Em manifestação nas redes sociais, o presidente sustentou que as instituições brasileiras devem ter liberdade para apurar suspeitas independentemente de quem esteja envolvido.
“As instituições brasileiras estão sendo fortalecidas e têm a responsabilidade de investigar todos, sem exceção ou privilégio. Ninguém está acima da lei”, afirmou.
Lula acrescentou que “investigar é diferente de condenar” e defendeu a observância das garantias constitucionais durante qualquer apuração.
“A presunção de inocência deve ser sempre respeitada”, declarou, acrescentando que toda pessoa tem direito à defesa e ao devido processo legal.
No dia 4 de agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Polícia Federal a instaurar um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva para investigar suspeitas relacionadas a possível tráfico de influência.
As apurações alcançam suspeitas de favorecimento de interesses empresariais em órgãos federais, além de possíveis irregularidades envolvendo relações com o poder público. Entre as frentes investigadas estão questões relacionadas à comercialização de medicamentos para o governo federal.
Ao abordar o tema, Lula não citou diretamente o filho em parte de sua manifestação, mas afirmou que eventuais irregularidades precisam ser esclarecidas.
“Se existem irregularidades, devem ser investigadas. Se há desvio de recursos públicos, os responsáveis devem responder por seus atos”, declarou.
Segundo o presidente, a independência das instituições e o cumprimento das normas constitucionais são fundamentais para o funcionamento do Estado.
“É assim que se fortalece a democracia: com instituições sólidas e respeito à Constituição”, acrescentou.
A posição já havia sido apresentada por Lula no fim de julho, durante entrevista a um podcast. Na ocasião, o presidente afirmou que Lulinha não teria tratamento privilegiado e que o governo não interferiria no trabalho dos investigadores.
As declarações ganham repercussão em meio à campanha eleitoral de 2026, período em que Lula busca conquistar um novo mandato na Presidência da República.
O caso envolvendo seu filho passou a integrar o debate político justamente durante o período eleitoral, enquanto adversários cobram esclarecimentos e aliados do presidente defendem que as investigações transcorram dentro dos limites legais, sem antecipação de culpa.
Lula também tem reforçado publicamente a diferença entre investigação e responsabilização criminal. A definição sobre eventual culpa dependerá das provas reunidas, das conclusões das autoridades responsáveis pelas apurações e, caso haja acusação formal, das decisões do Poder Judiciário.
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