Eleições / Pesquisa
Datafolha: metade dos eleitores vê risco de interferência estrangeira na eleição brasileira
Levantamento mostra que 50% admitem possibilidade de atuação de outros países no pleito; para 32%, eventual interferência representa um problema
23/08/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Metade dos eleitores brasileiros considera que existe possibilidade de outros países interferirem nas eleições de 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (23). Dentro desse grupo, 32% do total de entrevistados avaliam que uma eventual interferência estrangeira seria um problema, enquanto 18% reconhecem essa possibilidade, mas não a consideram problemática.
Em sentido contrário, 43% dos entrevistados afirmaram não acreditar que outros países possam interferir no processo eleitoral brasileiro. Outros 8% não souberam ou não responderam.
Os números surgem em um momento de atenção sobre as relações internacionais do Brasil, marcado por recentes tensões diplomáticas com Estados Unidos e Argentina e a pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições.
De acordo com o levantamento, as respostas ficaram distribuídas da seguinte forma:
32% dizem que há chance de interferência de outros países e consideram isso um problema;
18% acreditam que existe essa possibilidade, mas não a veem como um problema;
43% avaliam que não existe chance de interferência estrangeira;
8% não souberam ou não responderam.
Somadas as duas primeiras respostas, 50% dos entrevistados reconhecem algum grau de possibilidade de atuação estrangeira no processo eleitoral, independentemente da avaliação sobre suas consequências.
O Datafolha também separou as respostas conforme a intenção de voto dos entrevistados.
Entre os eleitores que declaram voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 36% consideram possível uma interferência estrangeira e enxergam a hipótese como um problema.
Outros 10% dos eleitores de Lula admitem a possibilidade, mas não a classificam dessa forma. Já 44% entendem que não há chance de interferência de outros países na eleição.
Entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), a percepção é diferente. 25% dizem acreditar na possibilidade de interferência e consideram isso um problema, enquanto 31% reconhecem a chance, mas afirmam que ela não seria problemática.
Outros 38% dos eleitores de Flávio avaliam que não existe possibilidade de interferência estrangeira no pleito.
Os dados indicam, portanto, uma diferença principalmente na avaliação sobre a gravidade do tema. Entre os apoiadores de Lula, é maior a parcela que considera eventual interferência um problema. Entre os eleitores de Flávio, cresce o percentual daqueles que admitem a possibilidade, mas não demonstram a mesma preocupação.
O Datafolha entrevistou 2.058 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 18 e 20 de agosto.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026.
A pesquisa foi realizada em um período de atritos diplomáticos envolvendo o Brasil e dois parceiros internacionais relevantes, Estados Unidos e Argentina.
No início de agosto, após sucessivas críticas do presidente argentino Javier Milei ao presidente Lula, o Itamaraty informou ao embaixador da Argentina, Guillermo Daniel Raimondi, que as tratativas do governo brasileiro passariam a ocorrer com o encarregado de negócios argentino em Brasília.
No relacionamento com os Estados Unidos, outro episódio aumentou a tensão. O governo do presidente Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Segundo o governo norte-americano, a decisão ocorreu em “reciprocidade” diante da demora brasileira na concessão de autorização ao nome indicado por Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
Apesar das recentes divergências, Lula e Trump conversaram por telefone na sexta-feira (21), em uma tentativa de restabelecer canais de diálogo entre os dois governos.
Com a eleição presidencial se aproximando, os dados do Datafolha mostram que a possibilidade de influência externa já integra as preocupações de uma parcela significativa do eleitorado: um em cada dois entrevistados admite que outros países podem tentar interferir no processo eleitoral brasileiro.
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