Justiça / Investigação
Dino autoriza PF a acessar dados de operação sobre produtora do filme Dark Horse
Investigação apura suspeitas envolvendo emendas parlamentares destinadas a entidade ligada à produtora responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro
24/08/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar e compartilhar dados obtidos em uma operação da Polícia Civil de São Paulo que teve como alvo Karina Ferreira da Gama, ligada à produtora responsável pelo filme Dark Horse, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A medida amplia o conjunto de informações disponíveis na investigação conduzida no STF sobre possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares destinadas a empresas e entidades relacionadas à produtora. O processo tramita sob sigilo.
A operação da Polícia Civil paulista foi realizada em junho de 2026 e investigou um contrato firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada a Karina, e a Prefeitura de São Paulo. As apurações apontaram suspeitas de fraude e eventual desvio de recursos públicos.
Durante a ação, policiais cumpriram buscas em dois endereços ligados a Karina, além das sedes do Instituto Conhecer Brasil e da Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse.
No mês passado, Flávio Dino já havia autorizado a Polícia Federal a investigar repasses de emendas parlamentares destinados a empresas e entidades vinculadas à produção do filme.
Dino é relator no STF de processos relacionados à fiscalização e à aplicação de recursos provenientes de emendas parlamentares. Nesse contexto, os investigadores procuram identificar a origem, a destinação e a execução dos valores públicos que teriam chegado a entidades relacionadas à produtora.
Um dos episódios sob análise envolve o deputado federal Mario Frias (PL-RJ). Em maio, ele prestou esclarecimentos após questionamentos de Dino sobre a destinação de recursos ao Instituto Conhecer Brasil.
Segundo informações apresentadas no procedimento analisado pelo Supremo, teriam sido destinados R$ 2 milhões à entidade. A existência do repasse, por si só, não representa comprovação de irregularidade, e eventuais responsabilidades dependem do avanço das investigações.
A Go Up Entertainment e a produção de Dark Horse também passaram a ser mencionadas em investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
As apurações procuram esclarecer aportes privados destinados ao projeto e eventuais relações desses recursos com outros fatos investigados. Os procedimentos ainda estão em andamento e não representam, nesta fase, conclusão sobre responsabilidade criminal dos envolvidos.
No mês passado, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que o processo relacionado a Dark Horse deixasse a relatoria de Flávio Dino e fosse redistribuído ao ministro André Mendonça.
O argumento apresentado foi de que Mendonça já conduz outra investigação relacionada ao financiamento atribuído a Daniel Vorcaro, envolvendo aproximadamente R$ 61 milhões.
Com a nova autorização de Dino, a Polícia Federal poderá incorporar às apurações informações obtidas pela Polícia Civil paulista e confrontá-las com documentos sobre emendas parlamentares, contratos e movimentações envolvendo as entidades investigadas.
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