Saúde / Prevenção
Hidratação exige mais atenção após os 60 anos e ajuda a prevenir problemas de saúde
Redução natural da sensação de sede aumenta o risco de desidratação entre idosos, que representam mais de 40% das internações pelo problema no SUS.
26/08/2026
09:30
DA REDAÇÃO
Manter uma ingestão adequada de água torna-se ainda mais importante depois dos 60 anos. Com o envelhecimento, o organismo passa por alterações que reduzem a percepção da sede, fazendo com que a pessoa possa permanecer várias horas sem beber líquidos mesmo quando o corpo já começa a apresentar sinais de desidratação.
Dados do DataSUS indicam que pessoas idosas representam mais de 40% das internações por desidratação no Sistema Único de Saúde (SUS). O problema pode evoluir silenciosamente e afetar diferentes funções do organismo.
Entre as possíveis consequências da ingestão insuficiente de líquidos estão tontura, fadiga, confusão mental, constipação intestinal, alterações da pressão arterial e maior risco de infecções urinárias. A desidratação também pode aumentar a sobrecarga dos rins.
A atenção precisa ser reforçada em períodos de temperaturas elevadas e durante episódios de doenças, como gripes e infecções, situações nas quais a perda de líquidos pode aumentar.
Segundo a geriatra Fernanda Sperandio, da MedSênior, esperar a sede aparecer nem sempre é uma estratégia adequada entre pessoas mais velhas.
“O envelhecimento modifica a forma como o organismo regula a água corporal. A sensação de sede deixa de ser um indicador tão confiável quanto na juventude. Por isso, a hidratação precisa ser encarada como um hábito planejado, e não apenas como uma resposta ao desejo de beber água”, explica.
A hidratação adequada interfere diretamente no funcionamento dos rins e da circulação sanguínea, além de participar do transporte de nutrientes e da regulação da temperatura corporal.
A água também desempenha papel na lubrificação das articulações e na manutenção das funções cognitivas. Por isso, uma ingestão insuficiente pode produzir efeitos que vão além da sensação de sede ou da boca seca.
Entre idosos, o cuidado ganha importância adicional porque alguns sintomas podem ser atribuídos equivocadamente ao próprio envelhecimento.
A desidratação não necessariamente começa com uma vontade intensa de beber água. Em pessoas idosas, outros sinais podem aparecer primeiro.
Boca seca, urina escura, redução da quantidade de urina, pele ressecada, fraqueza, sonolência, tontura e dificuldade de concentração estão entre as manifestações que merecem atenção.
Em quadros mais graves, a deficiência de líquidos pode favorecer quedas e alterações do estado de consciência, além de resultar em necessidade de atendimento hospitalar. Pessoas com doenças crônicas exigem acompanhamento ainda mais cuidadoso.
“A desidratação pode se instalar gradualmente e, muitas vezes, ser confundida com o próprio envelhecimento. Quando um idoso passa a apresentar mais cansaço, sonolência ou episódios frequentes de tontura, por exemplo, a hidratação deve ser um dos primeiros aspectos avaliados”, afirma Fernanda Sperandio.
A quantidade de líquidos necessária diariamente não é exatamente a mesma para todos. Fatores como idade, peso corporal, atividade física, temperatura ambiente e condições de saúde interferem nessa necessidade.
A recomendação deve ser individualizada principalmente para quem possui doenças renais, cardíacas ou outras condições que exijam controle ou restrição da ingestão de líquidos. Nesses casos, a orientação do profissional responsável pelo acompanhamento deve prevalecer.
Para a nutricionista Giselli Prucoli, da MedSênior, uma das principais estratégias é distribuir o consumo ao longo do dia, sem depender exclusivamente da sensação de sede.
“Criar uma rotina facilita muito. Vale deixar uma garrafa de água sempre por perto, estabelecer horários para beber líquidos e aproveitar momentos do dia, como após acordar, durante as refeições e entre uma atividade e outra. Pequenas atitudes ajudam a transformar a hidratação em um hábito”, orienta.
A profissional acrescenta que a cor da urina pode funcionar como um indicador prático. Em condições habituais, uma urina mais clara geralmente está associada a uma hidratação adequada.
A água deve permanecer como principal fonte de hidratação, mas não é a única maneira de fornecer líquidos ao organismo.
Chás sem açúcar, água aromatizada naturalmente com frutas ou ervas e água de coco podem complementar o consumo. Alimentos com grande quantidade de água também ajudam.
Entre as opções estão melancia, melão, laranja, abacaxi, pepino e tomate, que podem ser incorporados às refeições ao longo do dia.
A orientação é diferente para refrigerantes, bebidas alcoólicas e produtos com excesso de açúcar. Eles não devem ser utilizados como substitutos da água e precisam ser consumidos com moderação.
“Variar as formas de consumo pode ser uma estratégia interessante para quem tem dificuldade de beber água pura. O importante é priorizar bebidas saudáveis e manter uma ingestão regular ao longo do dia”, explica Giselli Prucoli.
Algumas medidas simples podem ajudar principalmente quem costuma esquecer de beber água. Manter uma garrafa sempre visível, estabelecer horários, criar metas ao longo do dia ou utilizar lembretes no celular são alternativas para incorporar a hidratação à rotina.
Familiares e cuidadores também podem estimular pessoas idosas a beber líquidos regularmente, mesmo quando elas afirmam não sentir sede.
O cuidado precisa ser reforçado durante ondas de calor, prática de atividades físicas ou períodos de doença, quando o organismo pode perder líquidos com maior rapidez.
Para Fernanda Sperandio, manter uma hidratação adequada também contribui para preservar autonomia e qualidade de vida durante o envelhecimento.
“Praticamente todas as funções do organismo dependem, em alguma medida, de uma boa hidratação. Manter a ingestão adequada de líquidos contribui para preservar a disposição, a função cognitiva, o equilíbrio e o bom funcionamento dos órgãos. É um cuidado simples, mas que faz diferença para envelhecer com mais saúde e independência”, conclui.
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