Economia / Telecomunicações
Justiça decreta falência da Oi, sucessora da Brasil Telecom em Mato Grosso do Sul
Operadora acumula dÃvida superior a R$ 44 bilhões e mais de 164 mil credores; em MS, sua trajetória remonta à antiga Telems
25/08/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta terça-feira (25) a falência da Oi, encerrando uma nova tentativa de recuperação da companhia que já esteve entre as maiores operadoras de telecomunicações do Brasil. Em Mato Grosso do Sul, a decisão atinge uma empresa cuja trajetória está ligada à antiga Telems e, posteriormente, à Brasil Telecom.
A decisão foi tomada pela Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A companhia já havia tido a falência decretada em novembro de 2025, mas a medida foi suspensa após recursos, permitindo a continuidade do segundo processo de recuperação judicial.
Com o agravamento da situação financeira, o tribunal voltou a determinar a quebra da empresa. O advogado Bruno Rezende foi nomeado administrador judicial e ficará responsável pela condução do processo.
A dimensão da crise aparece nos números apresentados à Justiça. A Oi acumula dívida estimada em mais de R$ 44 bilhões, patrimônio líquido negativo superior a R$ 22,6 bilhões e uma relação com mais de 164 mil credores.
Entre os credores estão 8.327 trabalhadores, com aproximadamente R$ 1,03 bilhão a receber.
Também aparecem 4.418 microempresas, cujos créditos somam cerca de R$ 106,14 milhões, além de instituições financeiras, fornecedores, fundos e detentores de títulos.
Durante o julgamento, a desembargadora Mônica Maria Costa Di Piero determinou que os pagamentos sejam realizados de acordo com a ordem de preferência estabelecida pela legislação.
O desembargador Augusto Alves Moreira Júnior chamou atenção para a situação dos créditos trabalhistas. Como ainda não existe um quadro geral consolidado dos credores, as discussões sobre classificação e prioridade deverão prosseguir no processo falimentar.
A deterioração financeira da operadora se intensificou nos últimos meses. A companhia encontrou dificuldades para negociar seus ativos remanescentes e passou a enfrentar problemas para manter pagamentos necessários à própria operação.
A administração judicial chegou a informar à Justiça que os recursos disponíveis poderiam acabar até o fim de agosto, enquanto fornecedores começaram a interromper serviços diante de atrasos nos pagamentos.
A empresa também acertou recentemente a demissão de 60% dos funcionários, com pagamento das verbas rescisórias parcelado em dez prestações, após negociação com sindicatos.
Antes dos cortes, o grupo mantinha aproximadamente 2 mil trabalhadores.
Para Mato Grosso do Sul, a falência encerra mais um capítulo de uma longa transformação do setor de telecomunicações.
Durante décadas, parte da telefonia no Estado esteve associada à Telems, Telecomunicações de Mato Grosso do Sul, criada no contexto da organização do sistema estadual de telecomunicações após a divisão territorial entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Com a privatização do Sistema Telebrás, no final da década de 1990, a telefonia fixa passou por uma reorganização e posteriormente ficou associada à marca Brasil Telecom.
Durante anos, a empresa esteve presente no cotidiano dos sul-mato-grossenses por meio de linhas telefônicas, contas, lojas e diferentes serviços de telecomunicações.
A transformação seguinte ocorreu quando a Oi adquiriu a Brasil Telecom, em uma operação anunciada em 2008 e inserida no projeto de criação de uma grande companhia nacional de telecomunicações.
Para muitos consumidores de Mato Grosso do Sul, portanto, a evolução das marcas ficou registrada na sequência Telems, Brasil Telecom e Oi, embora cada transição tenha ocorrido por mecanismos empresariais e regulatórios distintos.
O projeto de consolidar a Oi como uma operadora brasileira de grande porte acabou comprometido pelo aumento das dívidas e pelas profundas mudanças ocorridas no mercado de telecomunicações.
Em 2016, a empresa ingressou em sua primeira recuperação judicial. O processo somente foi encerrado em 2022.
A reorganização, porém, não resolveu os problemas financeiros. Em 2023, poucos meses depois de deixar a primeira recuperação, a companhia recorreu novamente à Justiça para tentar reestruturar suas obrigações.
Desde então, a Oi vendeu ativos, reduziu operações e diminuiu sua estrutura para obter recursos e pagar credores. A estratégia não foi suficiente para restabelecer a capacidade financeira da empresa.
Com a nova decisão judicial desta terça-feira (25), a companhia entra agora no processo de falência, que deverá definir a liquidação dos ativos remanescentes e a forma de pagamento dos credores conforme as prioridades estabelecidas em lei.
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