Justiça / Investigação
Polícia Civil de SP tem cinco dias para enviar à PF dados de operação sobre ONG ligada ao filme de Bolsonaro
Decisão de Flávio Dino determina compartilhamento de celulares, documentos e registros apreendidos na Operação Wi-Fi para investigação sobre emendas parlamentares
24/08/2026
20:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Polícia Civil de São Paulo recebeu nesta segunda-feira (24) a determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para compartilhar com a Polícia Federal (PF) dados e documentos recolhidos durante a Operação Wi-Fi. O material deverá ser encaminhado em até cinco dias e será incorporado à investigação sobre possíveis repasses de emendas parlamentares a entidades relacionadas à produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A operação paulista foi realizada em junho de 2026 e teve entre seus alvos o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade comandada por Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da produtora Go UP, responsável pela produção cinematográfica.
A investigação conduzida pela Polícia Civil apura suspeitas envolvendo um contrato firmado entre o instituto e a Prefeitura de São Paulo, estimado em R$ 108 milhões por ano.
Já a apuração que tramita no STF tem outro foco. A PF investiga se recursos provenientes de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas a Karina podem ter relação com a produção de Dark Horse.
Pela determinação de Flávio Dino, deverão ser disponibilizados à Polícia Federal os dados brutos obtidos na operação, incluindo extrações realizadas em celulares, além dos documentos apreendidos pelos investigadores paulistas.
Também poderão ser analisados computadores, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, registros financeiros e relatórios já elaborados a partir das mídias recolhidas.
Segundo informações obtidas pela TV Globo, o delegado responsável pelo caso em São Paulo já entrou em contato com a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores, em Brasília, para organizar a transferência do material.
O compartilhamento foi solicitado pela própria Polícia Federal. Ao STF, a corporação argumentou que o Instituto Conhecer Brasil ocupa posição relevante na investigação sobre a destinação das emendas e que as provas obtidas pela Polícia Civil podem contribuir para aprofundar as apurações.
Na avaliação apresentada pelos investigadores, informações recolhidas em endereços ligados ao instituto, a Karina Ferreira da Gama e a outras empresas relacionadas à empresária podem ajudar a reconstruir movimentações financeiras e identificar o destino dos recursos investigados.
Ao analisar o pedido, Flávio Dino considerou que a solicitação estava devidamente fundamentada e compatível com o entendimento do Supremo para o compartilhamento de provas entre investigações.
O inquérito teve origem após Dino determinar uma apuração da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre emendas atribuídas aos deputados federais Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura (ANC).
As duas entidades são apontadas na investigação como vinculadas a um mesmo núcleo de gestão relacionado a Karina Ferreira da Gama.
A partir do compartilhamento autorizado pelo STF, a Polícia Federal poderá cruzar as informações apreendidas na Operação Wi-Fi com os elementos já reunidos no inquérito federal. A corporação também analisa as relações empresariais envolvendo Karina e suas empresas, além de eventuais doações eleitorais relacionadas às pessoas investigadas.
O envio do material pela Polícia Civil deverá ocorrer dentro do prazo de cinco dias estabelecido pelo Supremo, permitindo que os investigadores avancem sobre o caminho percorrido pelos recursos públicos e as relações entre as entidades envolvidas.
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