Justiça / Investigação
Produtora de ‘Dark Horse’ pede ao STF suspensão de investigação conduzida em São Paulo
Defesa de Karina Gama alega que apuração sobre recursos destinados ao filme de Bolsonaro se sobrepõe a investigação já conduzida no Supremo
28/08/2026
09:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A defesa de Karina Gama, responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspenda uma investigação atualmente conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e transfira a apuração para a Corte. O pedido foi apresentado nesta quarta-feira (26) ao ministro André Mendonça.
Os advogados sustentam que o inquérito paulista deixou de se limitar às suspeitas envolvendo um contrato de internet gratuita da Prefeitura de São Paulo e passou a investigar também a origem e a destinação de recursos utilizados no financiamento do longa-metragem sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a defesa, essa parte dos fatos já integra uma investigação sob responsabilidade do STF. Por isso, caberia ao Supremo decidir sobre a continuidade e o alcance das apurações.
“Na realidade, a investigação de primeiro grau tem como verdadeiro objeto: a aplicação de recursos financeiros por parte do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse”, afirmam os advogados no pedido.
A apuração da Polícia Civil paulista investiga possíveis irregularidades relacionadas a um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina.
O contrato previa a disponibilização de wi-fi gratuito para comunidades de baixa renda na capital paulista.
Uma operação realizada em junho cumpriu medidas em endereços relacionados à Go Up Entertainment e em uma secretaria da Prefeitura de São Paulo. Os investigadores apuram a possibilidade de desvios de recursos do contrato municipal e eventual destinação de dinheiro para pessoas ligadas à produção cinematográfica.
As suspeitas permanecem sob investigação e não representam, por si só, conclusão sobre a existência de irregularidades ou responsabilidade dos envolvidos.
No pedido encaminhado a Mendonça, os advogados argumentam que o próprio delegado responsável pelo inquérito paulista teria indicado interesse em apurar os recursos utilizados para produzir “Dark Horse”.
Segundo a defesa, essa finalidade teria sido utilizada inclusive na fundamentação de uma medida destinada à obtenção de Relatório de Inteligência Financeira.
“O delegado foi categórico em afirmar que investigar a origem e a aplicação dos recursos financeiros para a produção do filme ‘Dark Horse’ é um dos objetivos do inquérito”, sustenta a equipe jurídica.
A defesa também argumenta que a investigação passou a alcançar movimentações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, assuntos que estariam sendo examinados em procedimentos no Supremo.
Com esse argumento, os advogados querem que o STF reconheça sua competência para analisar os fatos e determine a interrupção da investigação na primeira instância.
O financiamento do filme ganhou dimensão política durante a campanha eleitoral de 2026 por envolver Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
O longa retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e passou a receber maior atenção depois da divulgação de áudios atribuídos a Flávio nos quais ele solicita R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, para a conclusão da produção.
A repercussão levou o financiamento da obra para o centro das discussões políticas e das investigações envolvendo o fluxo dos recursos.
A defesa de Karina argumenta justamente que a conexão entre esses fatos e as apurações existentes no Supremo impede que a primeira instância avance sobre o mesmo objeto de maneira independente.
“A investigação de primeiro grau versa sobre o financiamento do filme ‘Dark Horse’, inclusive mencionando aportes financeiros e fluxos de capital que envolvem diretamente as figuras de Daniel Vorcaro e do Banco Master”, afirma a defesa.
O caso teve outro desdobramento nesta semana. Na segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, também do STF, autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar provas reunidas pela Polícia Civil paulista relacionadas à Go Up Entertainment.
A decisão permite que elementos obtidos durante a investigação em São Paulo sejam utilizados nas apurações federais relacionadas aos fatos investigados.
Agora, caberá ao ministro André Mendonça analisar a argumentação apresentada pela defesa de Karina Gama e decidir se existem fundamentos para suspender o inquérito paulista ou deslocar a investigação para o Supremo.
Até uma eventual decisão nesse sentido, o pedido da defesa não significa que a competência do STF esteja reconhecida nem que as apurações conduzidas em São Paulo tenham sido consideradas irregulares.
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