Política / Justiça
AGU defende suspensão da Lei da Dosimetria e pede que STF declare norma inconstitucional
Parecer enviado ao Supremo aponta falhas no processo legislativo e risco de redução desproporcional de penas por atos contra a democracia
19/05/2026
11:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspenda e declare inconstitucional a chamada Lei da Dosimetria, norma aprovada pelo Congresso Nacional e promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em 8 de maio.
A manifestação foi encaminhada ao STF em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parecer integra a análise de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que questiona a validade da lei.
A norma permite a redução de penas aplicadas a condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo reflexos sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos e três meses de prisão no julgamento relacionado à trama golpista.
A Lei da Dosimetria foi promulgada após o Congresso derrubar veto presidencial ao texto. Poucos dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, suspendeu a eficácia da lei em decisão liminar. O magistrado apontou indícios de inconstitucionalidade e risco de interferência em investigações e julgamentos ainda em andamento.
O mérito da ação ainda será analisado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, responsável por dar a palavra final sobre a validade da norma. A expectativa é que o julgamento definitivo ocorra até o fim deste mês.
No parecer, a AGU afirma que a lei apresenta vulnerabilidades formais no processo legislativo. Entre os pontos citados estão a suposta fragmentação indevida de veto presidencial e a ausência de retorno do projeto à Câmara dos Deputados após mudanças consideradas substanciais feitas pelo Senado Federal.
Além das questões formais, a manifestação sustenta que a norma promove um abrandamento desproporcional das penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Para a AGU, a lei pode violar princípios constitucionais como a individualização da pena e a isonomia.
O parecer também aponta que a legislação oferece proteção insuficiente à ordem constitucional ao facilitar a progressão de regime e reduzir sentenças em casos relacionados a atos cometidos por multidões. Na avaliação da AGU, esse tipo de flexibilização pode comprometer a resposta institucional a ataques contra a democracia.
A Advocacia-Geral da União pediu ao STF a concessão de medida cautelar para manter suspensa, de forma imediata, a eficácia da lei. O órgão argumenta que a aplicação da norma poderia gerar risco de “impunidade fundada em interesses casuísticos” e provocar retrocessos no processo de preservação da ordem democrática.
O caso segue sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A decisão final caberá ao plenário do Supremo, que deverá avaliar tanto os aspectos formais da tramitação legislativa quanto os impactos constitucionais da lei sobre condenações ligadas aos atos de 8 de janeiro.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Flávio Bolsonaro admite visita a Daniel Vorcaro após prisão do dono do Banco Master
Leia Mais
Zema diz que relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro foi uma traição ao Partido Novo
Leia Mais
Exame toxicológico passa a ser obrigatório para tirar a primeira CNH em Mato Grosso do Sul
Leia Mais
Motoristas de aplicativo e taxistas terão linha de crédito de R$ 30 bilhões para compra de carro novo
Municípios