Política / Justiça
Lula avalia reenviar nome de Jorge Messias ao Senado para vaga no STF
Presidente quer reafirmar prerrogativa de escolha para o Supremo após rejeição inédita do advogado-geral da União pelos senadores
17/05/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a aliados que pretende reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). A avaliação ocorre mesmo após a Casa ter rejeitado o nome de Messias em votação considerada uma derrota política para o governo.
Segundo pessoas próximas ao presidente, Lula deseja reafirmar que a escolha de ministros do Supremo é uma prerrogativa do presidente da República. Em conversas reservadas, o petista também teria reconhecido que a derrota no Senado não foi imposta apenas a Jorge Messias, mas ao próprio governo.
A expectativa entre aliados é de que o nome seja reencaminhado antes das eleições de outubro. A ministros e articuladores políticos, Lula afirmou que não vê justificativa técnica para a rejeição e que Messias não merecia ter sido barrado pelos senadores.
De acordo com interlocutores, o presidente reforçou essa percepção após assistir a trechos da sabatina de Jorge Messias no Senado. Para Lula, o desempenho do advogado-geral demonstrou preparo técnico e político para ocupar uma cadeira no Supremo.
A avaliação favorável do presidente também teria sido fortalecida por gestos públicos de apoio a Messias. Um deles ocorreu durante a posse do novo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quando o advogado-geral foi aplaudido em sinal de desagravo.
Na mesma solenidade, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não acompanhou a homenagem, em contraste com outros integrantes da mesa oficial da posse do ministro Kassio Nunes Marques. Durante o evento, Lula e Alcolumbre quase não conversaram, o que expôs o clima de tensão entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado.
Pessoas próximas afirmam que Jorge Messias ficou recluso após a rejeição de seu nome e chegou a manifestar intenção de deixar o governo. Lula, porém, teria recomendado que ele não tomasse nenhuma decisão no calor da derrota. Messias entrou de férias em 13 de maio e tem retorno previsto para o dia 25.
Dentro da AGU (Advocacia-Geral da União), há quem avalie que a permanência de Messias no cargo pode gerar constrangimentos em tratativas envolvendo interesses da União no Supremo, especialmente diante da resistência de alguns integrantes da Corte ao seu nome.
Antes da rejeição no Senado, aliados de Lula também consideravam Jorge Messias uma opção para comandar o Ministério da Justiça em um eventual cenário de divisão da pasta. O presidente já afirmou que pretende separar o ministério em duas estruturas, uma voltada à Justiça e outra à Segurança Pública, caso a PEC da Segurança seja aprovada pelo Congresso.
Lula chegou a cogitar a indicação de uma mulher para a vaga no Supremo, inclusive sob pressão de aliados do PT. Para o líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), a escolha de uma ministra poderia atender à demanda por maior representatividade e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de nova rejeição neste momento.
Apesar da derrota, o presidente não deve promover mudanças imediatas na equipe responsável pela articulação política com o Congresso. Segundo aliados, Lula considera que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi traído no processo de votação.
O presidente também não pretende afastar José Guimarães, responsável pela Secretaria de Relações Institucionais, pasta que atua diretamente na articulação política do governo com o Congresso.
A rejeição de Jorge Messias expôs dificuldades do governo na relação com o Senado e aumentou a pressão sobre a articulação política do Planalto. Ainda assim, ao considerar o reenvio do mesmo nome, Lula sinaliza que pretende enfrentar o desgaste institucional e preservar uma indicação considerada de confiança pessoal e política.
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