Política / Justiça
Quaest aponta que 52% são contra redução de penas para condenados pelo 8 de Janeiro
Pesquisa mostra que maioria vê PL da Dosimetria como medida aprovada para diminuir punição de Jair Bolsonaro
17/05/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Pesquisa Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, aponta que 52% dos brasileiros são contra a redução das penas de envolvidos nos atos de 8 de Janeiro. O levantamento também mostra que 39% são favoráveis à medida, enquanto 9% não souberam ou não responderam.
A consulta foi feita após o Congresso Nacional derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao chamado PL da Dosimetria, que altera critérios de aplicação de penas a condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
O veto presidencial foi derrubado por deputados e senadores em 30 de abril. Uma semana depois, em 8 de maio, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), promulgou a lei. A medida pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e aos atos de 8 de Janeiro.
A Quaest perguntou aos entrevistados se eles eram a favor ou contra a redução das penas dos envolvidos no 8 de Janeiro. O resultado foi o seguinte:
Contra: 52%
A favor: 39%
Não sabe/não respondeu: 9%
Segundo o levantamento, a rejeição à redução das penas é maior entre eleitores que se identificam como de esquerda não lulista. Já a menor resistência aparece entre os que se declaram bolsonaristas.
Entre os eleitores considerados independentes, 58% são contra a redução das penas, 31% são favoráveis e 11% não souberam ou não responderam.
A pesquisa também questionou os entrevistados sobre a motivação da aprovação do PL da Dosimetria. Para 54%, a proposta foi aprovada com o objetivo de reduzir a pena de Jair Bolsonaro. Outros 34% disseram acreditar que a lei foi aprovada para beneficiar todos os condenados. Já 12% não souberam ou não responderam.
O resultado foi o seguinte:
Reduzir a pena de Bolsonaro: 54%
Reduzir a pena de todos os condenados: 34%
Não sabe/não respondeu: 12%
O levantamento ouviu 2.004 pessoas em todo o país, entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O que foi aprovado pelo Congresso
Em janeiro, o presidente Lula vetou integralmente o projeto. A justificativa foi de que a redução das penas poderia estimular crimes contra a ordem democrática.
O Congresso, porém, derrubou o veto por ampla maioria. Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos pela derrubada e 144 contra. No Senado, o placar foi de 49 votos a 24. A oposição comemorou o resultado, enquanto o governo sofreu mais uma derrota no Legislativo.
Com a nova lei, as penas e o tempo de prisão em regime fechado dos condenados pelos atos golpistas poderão ser reduzidos. O texto impede a soma das penas dos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Na prática, passa a valer apenas a punição considerada mais grave, com acréscimo de 1/6 até a metade sobre a pena. A lei também prevê redução de pena para crimes cometidos em contexto de multidão, desde que o condenado não tenha financiado os atos nem exercido papel de liderança.
Apesar de já estar em vigor desde 8 de maio, a redução das penas não será automática. Caberá ao STF (Supremo Tribunal Federal) recalcular as punições dos condenados.
Para isso, a Corte deverá ser provocada pela defesa de algum condenado, pelo Ministério Público ou por um ministro relator de processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro.
Ao menos 190 pessoas condenadas por envolvimento na tentativa de golpe de Estado podem ser beneficiadas pela nova legislação.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Marco Rubio nega participação do governo dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
Leia Mais
Kassab confirma contato do governo Lula com PSD e admite aproximação política
Leia Mais
Lula quer apoio garantido no Congresso antes de entregar ministérios ao Centrão
Leia Mais
Vitória democrata nos EUA pode aumentar pressão sobre Flávio Bolsonaro, mas não garante deportação
Municípios