Campo Grande (MS), Segunda-feira, 18 de Maio de 2026

Saúde / Cardiologia

Dormir muito tarde pode aumentar riscos ao coração, aponta estudo divulgado por Harvard

Pesquisa analisou dados de 300 mil adultos e associou hábitos noturnos a pior saúde cardiovascular, infarto e derrame

17/05/2026

10:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

Dormir muito tarde com frequência pode prejudicar a saúde do coração e aumentar o risco de sofrer um primeiro ataque cardíaco ou derrame. A conclusão faz parte de um estudo publicado em janeiro pelo Journal of the American Heart Association e divulgado recentemente pela Universidade de Harvard.

A pesquisa avaliou dados de cerca de 300 mil adultos para entender como os padrões de sono e vigília influenciam a saúde cardiovascular. Entre os participantes, aproximadamente 8% se identificaram como pessoas de cronotipo noturno, com hábito de dormir perto das 2h da manhã. Outros 24% foram classificados como matutinos, enquanto 67% ficaram no grupo intermediário.

Os pesquisadores utilizaram a métrica Life’s Essential 8, da American Heart Association, que avalia fatores relacionados à saúde cardiovascular. Na comparação com pessoas de cronotipo intermediário, os indivíduos noturnos apresentaram prevalência 79% maior de pontuações ruins para a saúde do coração.

O estudo também apontou que o grupo conhecido como “coruja” teve risco 16% maior de sofrer um primeiro infarto ou derrame durante um período médio de acompanhamento de quase 14 anos. Já os participantes matutinos apresentaram prevalência 5% menor de pontuações ruins relacionadas à saúde cardiovascular.

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacaram que pessoas com cronotipo noturno podem reduzir os riscos ao adotar hábitos mais saudáveis. Entre as medidas estão dormir por mais horas, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo e manter uma rotina mais equilibrada.

Para entender os impactos do hábito de dormir tarde, a coluna Claudia Meireles ouviu o cardiologista Fabrício Da Silva, da Amplexus Saúde Especializada. Segundo o médico, o sono tardio frequente pode causar um desalinhamento biológico capaz de afetar diferentes sistemas do organismo, não apenas o cardiovascular.

O organismo humano foi programado para funcionar em sincronia com os ciclos de luz e escuridão. Quando se dorme muito tarde de forma frequente, especialmente em horários incompatíveis com a rotina natural do corpo, ocorre um desequilíbrio que pode aumentar processos inflamatórios, alterar a pressão arterial, prejudicar o metabolismo da glicose, favorecer o ganho de peso e elevar os níveis de estresse hormonal”, explicou o cardiologista.

De acordo com Fabrício Da Silva, pessoas com cronotipo noturno tendem a apresentar maior ativação do sistema nervoso simpático, responsável pelo estado de alerta. Esse mecanismo faz com que o corpo permaneça em condição de vigilância por mais tempo, aumentando a liberação de cortisol e adrenalina.

Na prática, esse excesso hormonal pode favorecer o aumento da pressão arterial durante a noite, elevar a frequência cardíaca e reduzir a recuperação cardiovascular durante o sono. O especialista também alerta que pessoas que dormem tarde costumam acumular outros hábitos prejudiciais, como sedentarismo, alimentação irregular, maior consumo de ultraprocessados, álcool e privação de sono durante os dias úteis.

A associação entre dormir tarde e maior risco de infarto ou AVC ocorre porque o sono inadequado interfere em mecanismos essenciais para a saúde vascular. Segundo o cardiologista, a rotina noturna frequente está relacionada a maior resistência à insulina, inflamação crônica e disfunção do endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos.

Outro ponto relevante é o déficit de sono acumulado. Muitas pessoas que dormem tarde precisam acordar cedo por causa de compromissos profissionais, escolares ou familiares. Essa redução constante das horas de sono pode aumentar o risco de obesidade, diabetes e aterosclerose, fatores diretamente ligados ao infarto e ao AVC.

Embora o cronotipo noturno possa ter influência genética e estar relacionado ao perfil de pessoas que se sentem mais produtivas à noite, algumas mudanças de rotina ajudam a reduzir os impactos sobre o coração. Para Fabrício Da Silva, nem sempre é possível mudar completamente o relógio biológico, mas é possível diminuir os riscos com hábitos consistentes.

Entre as recomendações estão manter horários regulares para dormir e acordar, evitar grandes diferenças de rotina entre dias úteis e fins de semana, buscar exposição ao sol pela manhã, reduzir o consumo de cafeína à noite e diminuir estímulos luminosos no período noturno, especialmente telas e luzes fortes.

Mais importante do que forçar uma mudança radical é criar hábitos consistentes que reduzam o impacto cardiovascular desse desalinhamento biológico”, afirmou o cardiologista.

O especialista também reforçou a importância da atividade física regular, da alimentação equilibrada e do acompanhamento médico, especialmente para pessoas com fatores de risco. Monitorar pressão arterial, colesterol, glicemia e outros indicadores pode ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares.

A principal mensagem do estudo é que o horário de dormir não deve ser visto apenas como uma preferência pessoal. Quando o hábito de virar a madrugada se torna frequente e reduz a qualidade ou a duração do sono, o impacto pode chegar ao coração, aos vasos sanguíneos e ao metabolismo.


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