Saúde / Prevenção
Aumento de infecções por HIV reforça alerta para prevenção e diagnóstico precoce
PrEP e PEP estão disponíveis pelo SUS e ajudam a reduzir o risco de infecção pelo HIV quando utilizadas corretamente e com acompanhamento profissional.
10/08/2026
08:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O crescimento das novas infecções por HIV na América Latina reforça a necessidade de ampliar a prevenção, a testagem e o acesso à informação. O cenário é abordado no Relatório Global 2026 do UNAIDS, que aponta avanços importantes no enfrentamento da epidemia nas últimas quatro décadas, mas também mostra desafios persistentes na região.
Entre os progressos estão a expansão do tratamento antirretroviral, o maior conhecimento sobre os fatores relacionados à transmissão do vírus e o desenvolvimento de diferentes estratégias preventivas. Na América Latina, entretanto, o comportamento das novas infecções entre 2010 e 2025 contrasta com a redução observada em outras partes do mundo.
Nesse contexto, duas ferramentas ganham importância: a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP). As estratégias utilizam medicamentos antirretrovirais para diminuir a possibilidade de infecção pelo HIV e estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A farmacêutica Iangla Damasceno, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), explica que a utilização depende do momento e das circunstâncias de exposição ao vírus.
A PrEP é utilizada preventivamente por pessoas que podem estar expostas ao HIV. Já a PEP é indicada depois de uma situação de possível exposição e deve ser procurada rapidamente.
“Essas medidas reduzem significativamente a possibilidade de infecção quando utilizadas corretamente e associadas ao acompanhamento em saúde”, explica a especialista.
Segundo Iangla Damasceno, o aumento das infecções tem consequências que ultrapassam o diagnóstico individual. Pessoas infectadas necessitam de acompanhamento e tratamento contínuos, e o diagnóstico tardio pode resultar em complicações clínicas e hospitalizações.
“Cada nova infecção representa a necessidade de acompanhamento e tratamento ao longo da vida, além de poder resultar em complicações clínicas, hospitalizações e aumento dos custos para o sistema de saúde, especialmente quando o diagnóstico ocorre de forma tardia”, afirma.
A especialista aponta ainda fatores que podem dificultar o enfrentamento da transmissão do HIV, entre eles desinformação, estigma, baixa percepção de risco, redução do uso de preservativos e desconhecimento sobre PrEP e PEP.
“A desinformação, o estigma, a baixa percepção de risco, a diminuição do uso do preservativo e o desconhecimento sobre estratégias eficazes de prevenção, como a PrEP e a PEP, são aspectos que contribuem para o aumento de novas infecções”, ressalta.
Além das profilaxias, a testagem para HIV permanece entre as principais estratégias de prevenção e diagnóstico. A frequência indicada depende das características individuais e da avaliação realizada pelos profissionais de saúde.
Para pessoas sexualmente ativas com maior vulnerabilidade ao HIV, a orientação pode envolver testes periódicos em intervalos de três ou seis meses. Diante de uma situação de possível exposição, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de saúde para avaliação.
“Sempre que houver uma situação de risco, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde”, orienta Iangla.
O diagnóstico precoce permite iniciar mais rapidamente o tratamento antirretroviral, melhorando as condições de saúde da pessoa diagnosticada e contribuindo para reduzir a transmissão do vírus.
Dados do Ministério da Saúde citados no levantamento mostram que o Brasil registrou 38.222 novos casos de infecção pelo HIV em 2023. Em 2024, foram contabilizados 39.216 casos, aumento de aproximadamente 2,6% entre os dois períodos.
A PrEP e a PEP podem ser encontradas nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e em outros serviços habilitados do SUS. Antes do início da profilaxia, o paciente passa por avaliação profissional e, quando indicado, por exames clínicos e laboratoriais.
No Tocantins, a dispensação dos medicamentos ocorre em unidades localizadas em Palmas, Araguaína, Porto Nacional, Gurupi e Paraíso.
A combinação de informação, preservativo, testagem, PrEP, PEP, diagnóstico precoce e tratamento amplia as possibilidades de prevenção e permite que cada pessoa, com orientação dos serviços de saúde, utilize as estratégias mais adequadas à sua situação.
Consulte o Relatório Global 2026 e outras publicações do UNAIDS
O HDT-UFNT integra a Rede HU Brasil desde 2015. A rede é administrada pela estatal criada pela Lei nº 12.550/2011, originalmente denominada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Segundo as informações divulgadas, a instituição administra 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da Federação.
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