Política / Diplomacia
Lula atribui tensão com os EUA a Marco Rubio e diz que secretário “odeia o Brasil”
Lula preserva relação com Trump, concentra críticas em Marco Rubio e contesta argumentos usados pelos EUA para elevar tarifas sobre produtos brasileiros
08/08/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pelo agravamento das tensões entre Brasília e Washington. Ao comentar o conflito comercial entre os dois países, Lula afirmou que o chefe da diplomacia americana tem uma postura contrária ao Brasil e à América Latina, ao mesmo tempo em que evitou direcionar as críticas ao presidente Donald Trump.
Durante o pronunciamento, Lula disse manter uma relação de “muito respeito” com Trump. Segundo o presidente brasileiro, em conversa recente com o norte-americano, defendeu que os dois países, considerados por ele as maiores democracias do continente, deveriam demonstrar maior harmonia e evitar que a relação bilateral seja conduzida com base em informações equivocadas.
As críticas mais duras foram dirigidas a Marco Rubio. Lula classificou o secretário como “bolsonarista” e afirmou que ele “não gosta do Brasil e da América Latina”. Em outro momento, chamou Rubio de “anti-latino-americano” e declarou que o integrante do governo Trump “odeia Cuba, odeia a Colômbia e odeia o Brasil”.
As declarações ocorreram durante um evento no qual o governo apresentou uma redução de 37% nos alertas de desmatamento na Amazônia no período de 2025 a 2026. Lula aproveitou os dados ambientais para questionar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para medidas comerciais contra produtos brasileiros.
O presidente afirmou que os argumentos utilizados por Washington não correspondem à realidade brasileira e defendeu a atuação do país na área ambiental.
“Ninguém, nem os Estados Unidos, leva a questão climática tão a sério quanto o Brasil. Ninguém. Já o vi [Trump] na ONU dizendo que não acredita na questão climática e que é tudo mentira”, declarou Lula.
A relação entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca atravessa um período de tensão desde o anúncio das primeiras barreiras comerciais americanas contra produtos do Brasil.
Desde 22 de julho, os Estados Unidos aplicam uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras. O governo norte-americano relacionou a medida a práticas que considera prejudiciais aos seus interesses comerciais.
Entre os pontos questionados pelos Estados Unidos estão questões relacionadas ao Pix, regras de combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol e políticas relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.
Apesar do aumento tarifário, aproximadamente 2,1 mil produtos brasileiros ficaram fora da cobrança adicional. Entre as exceções estão itens como carne, determinados tipos de peixe, café, petróleo, terras raras e obras de arte.
Lula afirmou que tomou conhecimento do novo aumento das tarifas pela imprensa. Como resposta aos argumentos ambientais apresentados por Washington, disse que pretende encaminhar a Trump dados e gráficos sobre a redução do desmatamento na Amazônia.
O objetivo, segundo o presidente, é demonstrar diretamente à Casa Branca que os indicadores ambientais brasileiros não sustentariam as críticas utilizadas no conflito comercial.
A disputa entre os dois governos ultrapassou a área comercial. Neste mês, o governo brasileiro protestou contra a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, classificando a decisão como uma retaliação de caráter político.
O episódio ocorreu em meio às divergências diplomáticas envolvendo a aprovação do novo embaixador indicado pelo governo Trump e questões relacionadas à concessão de vistos a representantes norte-americanos.
No mês passado, Washington também prorrogou por um ano o estado de emergência relacionado ao Brasil, apontando questões que, na avaliação do governo americano, representariam ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
Outro ponto recente de atrito foi a decisão norte-americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais.
Com as relações comerciais e diplomáticas pressionadas, Lula procura manter aberto o canal direto com Donald Trump, enquanto concentra as críticas em Marco Rubio. A evolução desse diálogo terá impacto direto nas negociações para reduzir as tarifas e normalizar a relação entre Brasil e Estados Unidos.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Mega-Sena sorteia R$ 165 milhões neste domingo; apostas terminam neste sábado
Leia Mais
Ex-jogador Jadson é preso no Paraná após esposa denunciar tentativa de enforcamento
Leia Mais
Messi foi principal alvo de ameaças durante a Copa do Mundo, aponta investigação
Leia Mais
Lula diz que enviará a Trump dados sobre queda do desmatamento na Amazônia
Municípios