Política / Congresso
Governo aposta em reaproximação de Lula e Alcolumbre para destravar pautas no Senado
Novo encontro é esperado na próxima semana, enquanto Planalto tenta avançar com PECs da Segurança e da escala 6×1 antes das eleições de outubro
08/08/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O governo federal espera que a retomada do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ajude a destravar propostas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto. Um novo encontro entre os dois é esperado para a próxima semana, em meio à tentativa de acelerar votações antes das eleições de outubro de 2026.
Lula e Alcolumbre jantaram juntos na noite de terça-feira (4), após uma articulação que contou com a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Dentro do Planalto, a avaliação é de que o ambiente entre os dois melhorou depois de meses de desgaste político.
A reaproximação, no entanto, ainda não garante a votação das principais propostas defendidas pelo Executivo. Entre elas estão a PEC da Segurança Pública e a proposta que pretende substituir a escala de trabalho 6×1 e reduzir progressivamente a jornada semanal.
O relacionamento entre Lula e Alcolumbre sofreu uma ruptura em abril, quando o plenário do Senado rejeitou uma indicação feita pelo presidente da República para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre participou das articulações políticas que antecederam a votação.
Desde então, a dificuldade de interlocução passou a preocupar integrantes do governo diante da quantidade de propostas que dependem do Senado.
Uma das prioridades é a PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara dos Deputados em março. Entre as medidas previstas está a estruturação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) para ampliar a integração entre forças de segurança da União e demais entes federativos.
A proposta também estabelece a destinação de 30% da arrecadação tributária incidente sobre apostas esportivas, as bets, ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
Outra proposta acompanhada de perto pelo governo é a mudança na jornada de trabalho. O texto aprovado pela maioria dos deputados em maio prevê a substituição da escala de seis dias trabalhados por um de descanso por uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de folga.
Pela proposta, a atual jornada de 44 horas semanais cairia inicialmente para 42 horas, a partir de 60 dias depois da promulgação. Após 14 meses, seria reduzida para 40 horas semanais. Uma das duas folgas deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.
A matéria chegou ao Senado em maio, mas ainda aguarda despacho da Presidência da Casa para iniciar a tramitação. A tendência é que o texto tenha de passar inicialmente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de uma eventual análise pelo plenário.
Alcolumbre não estabeleceu prazo para dar andamento à proposta. Integrantes da base governista esperam que uma nova conversa com Lula possa ajudar a superar o impasse.
A preocupação é que uma votação somente depois das eleições reduza o espaço político para a aprovação da mudança.
Na sexta-feira (7), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), reuniu-se com representantes de centrais sindicais e movimentos sociais para discutir a mobilização em torno da proposta. Manifestações estão previstas para segunda-feira (10) em diferentes estados.
Além das duas PECs, outra matéria ganhou relevância para o Executivo: o Projeto de Lei das Terras Raras, aprovado pela Câmara em maio.
A proposta estabelece um marco regulatório para a exploração de minerais críticos e estratégicos no Brasil. O assunto ganhou maior peso político em meio às tensões diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O governo brasileiro busca fortalecer o beneficiamento desses minerais dentro do país, aumentar o controle sobre operações envolvendo ativos considerados estratégicos e reduzir um modelo baseado apenas na exportação de matérias-primas.
O calendário eleitoral tornou-se outro obstáculo para matérias de maior complexidade. As eleições estão previstas para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
Propostas de Emenda à Constituição exigem apoio de três quintos dos parlamentares, em dois turnos de votação em cada Casa do Congresso, o que exige elevada mobilização política.
O calendário presencial do Legislativo também está mais restrito. Além das sessões desta semana, Senado e Câmara terão atividades presenciais entre 31 de agosto e 3 de setembro, enquanto parte dos trabalhos poderá ocorrer de maneira semipresencial.
Nesse cenário, a retomada da interlocução entre Lula e Alcolumbre passa a ser considerada pelo governo um elemento importante para definir se as propostas prioritárias conseguirão avançar antes que a campanha eleitoral reduza ainda mais o ritmo de votações no Congresso.
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