Campo Grande (MS), Domingo, 09 de Agosto de 2026

Saúde / Prevenção

Colesterol alto avança sem sintomas e aumenta risco de infarto e AVC

Alteração pode permanecer despercebida por anos enquanto favorece placas nas artérias; exames periódicos são essenciais para identificar o problema

08/08/2026

09:30

DA REDAÇÃO

O colesterol alto pode permanecer durante anos sem provocar qualquer sinal perceptível, enquanto aumenta gradualmente o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cardiovasculares. Essa evolução silenciosa torna os exames periódicos uma das principais formas de identificar a alteração antes que ocorram complicações graves.

Dados da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025 indicam que aproximadamente um em cada três brasileiros apresenta colesterol total acima de 200 mg/dL. Cerca de um em cada cinco adultos também possui níveis elevados de LDL-colesterol.

Embora geralmente relacionado à alimentação, o colesterol desempenha funções essenciais no organismo. A substância está presente nas células e participa da produção de hormônios e vitamina D, além de integrar a estrutura das membranas celulares. O risco aparece principalmente quando determinadas frações permanecem em níveis inadequados.

LDL elevado favorece formação de placas

O colesterol é transportado pelo sangue por diferentes lipoproteínas. Entre as mais conhecidas estão o LDL, popularmente chamado de colesterol ruim, e o HDL, conhecido como colesterol bom.

Quando existe excesso de LDL na circulação, partículas podem se acumular nas paredes das artérias e participar do desenvolvimento das placas de aterosclerose. Ao longo do tempo, esse processo pode comprometer a circulação sanguínea e aumentar o risco de eventos cardiovasculares.

O HDL atua de maneira diferente, participando do transporte reverso do colesterol e levando parte do excesso presente nos tecidos de volta ao fígado.

Segundo a Dra. Rosangeles Konrad, médica e professora da pós-graduação em Cardiologia da Afya Educação Médica Brasília, a ausência de sintomas é justamente uma das características que tornam o problema preocupante.

“O colesterol elevado costuma evoluir de forma silenciosa, e esse é um dos aspectos que mais preocupam. O paciente pode passar anos com o LDL alto, favorecendo a formação de placas nas artérias, sem apresentar qualquer sintoma. Não há dor, mal-estar ou outro sinal que chame atenção.”

A especialista explica que algumas pessoas descobrem a alteração somente em exames de rotina. Em situações mais graves, o diagnóstico ocorre após um evento cardiovascular.

“Muitas pessoas só descobrem a alteração em um exame de rotina ou, infelizmente, após um evento cardiovascular, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, é fundamental manter o acompanhamento médico e realizar exames periódicos, especialmente quem tem histórico familiar, hipertensão, diabetes, obesidade ou outros fatores de risco.”

Diagnóstico antes das complicações

A identificação precoce permite iniciar medidas para controlar o colesterol antes que o processo de aterosclerose avance. Para a cardiologista, o cenário mais favorável é descobrir a alteração durante avaliações preventivas.

“O cenário ideal é descobrir o colesterol alto durante um check-up de rotina, quando ainda há tempo para agir e evitar complicações. Infelizmente, muitos pacientes só recebem esse diagnóstico depois de um infarto ou de um AVC, o que reforça a importância dos exames periódicos, mesmo para quem se sente saudável”, afirma.

Além da predisposição genética, diferentes hábitos interferem nos níveis de colesterol e no risco cardiovascular. Alimentação rica em gorduras saturadas e ultraprocessados, sedentarismo, tabagismo e excesso de peso estão entre os fatores que podem contribuir para alterações do perfil lipídico e acelerar a aterosclerose.

Para pacientes classificados como de risco baixo ou moderado, mudanças consistentes no estilo de vida podem produzir melhora significativa. Dependendo do quadro clínico, entretanto, medicamentos também são necessários.

“Em muitos pacientes, principalmente os de risco baixo a moderado, só a mudança de hábitos já consegue reduzir o colesterol de forma bastante significativa. Quando necessário, o tratamento medicamentoso complementa essa estratégia para proteger o coração”, explica Rosangeles Konrad.

Tratamento depende do risco cardiovascular

Pessoas com alto risco cardiovascular ou doenças hereditárias, como a hipercolesterolemia familiar, frequentemente precisam combinar hábitos saudáveis com tratamento medicamentoso.

Além das tradicionais estatinas, existem medicamentos como ezetimiba, ácido bempedoico e inibidores de PCSK9. A escolha da estratégia e a definição das metas de colesterol dependem do risco individual e devem ser feitas pelo médico.

“Hoje não dependemos apenas das estatinas. O arsenal terapêutico cresceu bastante nos últimos anos, permitindo um tratamento mais individualizado e melhores resultados no controle do colesterol”, afirma a especialista.

Nove cuidados para controlar o colesterol

Segundo a cardiologista, algumas medidas ajudam a manter níveis adequados de colesterol e reduzir o risco cardiovascular:

  1. Priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas, alimentos ricos em fibras que podem auxiliar no controle do colesterol.

  2. Incluir fontes de gorduras insaturadas, como azeite de oliva, castanhas, nozes, sementes e peixes ricos em ômega-3.

  3. Reduzir gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados, incluindo frituras, embutidos, carnes muito gordurosas e determinados produtos industrializados.

  4. Praticar regularmente atividade física, buscando acumular pelo menos 150 minutos semanais de exercícios de intensidade moderada, conforme orientação profissional.

  5. Manter o peso corporal adequado, já que o excesso de peso pode contribuir para alterações metabólicas e maior risco cardiovascular.

  6. Não fumar e moderar o consumo de bebidas alcoólicas.

  7. Controlar pressão arterial e glicemia, especialmente na presença de hipertensão ou diabetes.

  8. Fazer exames periódicos, sobretudo quando houver histórico familiar de colesterol elevado ou doença cardiovascular.

  9. Seguir corretamente o tratamento prescrito pelo médico, sem suspender ou alterar medicamentos por conta própria.

Como o colesterol elevado geralmente não produz sinais de alerta, sentir-se bem não significa necessariamente estar com os níveis adequados. A avaliação do perfil lipídico, associada à análise dos demais fatores de risco, permite definir medidas preventivas e reduzir a possibilidade de infarto e AVC no futuro.


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