Mundo / Diplomacia
EUA dizem que respeitarão resultado das eleições no Brasil e tentam preservar relação bilateral
Departamento de Estado afirma que reconhecerá governo escolhido em eleições “livres e justas”, apesar da escalada de atritos entre Brasília e Washington
07/08/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O governo dos Estados Unidos afirmou que respeitará a escolha dos brasileiros nas eleições e sinalizou que não pretende romper as relações com o país, apesar do aumento das divergências diplomáticas com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação ocorre em meio à disputa envolvendo a indicação do novo embaixador americano em Brasília e a circulação de diplomatas dos dois países.
Em posicionamento enviado ao Metrópoles, um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou que Washington atribui importância à relação bilateral e está disposto a trabalhar com o governo escolhido pela população brasileira.
“Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil”, declarou.
Segundo o representante americano, os Estados Unidos mantiveram relações com governos brasileiros de diferentes orientações políticas ao longo dos anos e não têm interesse no rompimento dos vínculos diplomáticos.
“Atribuímos grande importância às relações com o Brasil”, acrescentou.
O posicionamento foi divulgado no mesmo dia em que o Senado dos Estados Unidos aprovou a indicação de Daniel Perez para assumir a embaixada americana em Brasília.
Perez foi escolhido pelo presidente Donald Trump, mas ainda depende do agrément brasileiro, consentimento diplomático necessário para que um embaixador estrangeiro possa assumir oficialmente suas funções no país.
A demora na concessão da autorização tornou-se um dos focos do desgaste entre os dois governos.
Na terça-feira (4), a administração Trump revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo Washington, a medida foi uma resposta à demora brasileira na análise do nome de Perez.
O governo brasileiro contestou a decisão e rejeitou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos.
A crise diplomática já havia sido alimentada pela decisão do Itamaraty de negar vistos a representantes americanos que pretendiam viajar ao Brasil.
Segundo informações publicadas sobre o episódio, havia suspeitas de que a missão estaria relacionada a questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro. O Departamento de Estado negou essa interpretação.
Washington sustentou que os representantes participariam de uma visita de rotina e discutiriam assuntos como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão com autoridades brasileiras.
O episódio passou a integrar uma sequência de divergências entre os dois países, que alcança também questões comerciais e políticas.
Desde o retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, Brasília e Washington enfrentam uma série de pontos de tensão.
Entre eles estão a elevação de tarifas sobre produtos brasileiros, investigações comerciais e divergências envolvendo decisões e autoridades do Brasil.
O cenário político brasileiro também passou a ocupar espaço nas relações bilaterais, principalmente diante da aproximação do governo Trump com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e das discussões relacionadas ao processo eleitoral.
Apesar dos atritos, o Departamento de Estado procurou separar as divergências atuais da relação institucional de longo prazo entre os países.
“Temos respeitado e lidado com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, mantendo relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou o funcionário americano.
Na manifestação, o representante do Departamento de Estado também citou os vínculos comerciais, os investimentos e as relações culturais entre brasileiros e americanos.
“Essa é uma das relações mais importantes que mantemos na região”, declarou.
A mensagem combina, portanto, duas posições. De um lado, Washington mantém a pressão sobre Brasília pela definição do agrément de Daniel Perez e critica decisões recentes do governo brasileiro. De outro, afirma que não pretende levar o conflito a um rompimento e que reconhecerá a escolha dos brasileiros em eleições consideradas livres e justas.
Com a aprovação de Perez pelo Senado americano nesta sexta-feira (7), a definição sobre a chefia da representação dos Estados Unidos em Brasília passa a depender da resposta brasileira. Enquanto o impasse permanece, os dois governos tentam administrar uma das fases de maior tensão recente na relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
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