Política / Justiça
Simone Tebet cobra investigação sobre relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Ex-ministra classificou denúncias como graves e afirmou que episódio pode gerar desgaste político ao senador nos palanques regionais
19/05/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), afirmou que as denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro são graves e precisam ser investigadas. A declaração foi dada em entrevista ao UOL, após a divulgação de conversas atribuídas ao parlamentar e ao ex-controlador do Banco Master.
Segundo Simone Tebet, o caso exige apuração porque envolve um pré-candidato à Presidência da República que se apresenta publicamente como defensor da família, da moralidade, da pátria e do combate à corrupção. Para ela, a relação demonstrada nas mensagens chama atenção pelo tom de proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
A ex-ministra citou o fato de Vorcaro já ter sido alvo de denúncias e de pessoas ligadas ao caso terem sido presas. Ela também mencionou que, segundo os materiais divulgados, haveria áudio de Flávio Bolsonaro tratando o ex-banqueiro com intimidade pouco antes da prisão.
“Vorcaro já tinha sido denunciado, pessoas já tinham sido presas e um dia antes do Vorcaro ser preso tem áudio do Flávio o chamando na maior intimidade. Um denunciado gravíssimo por corrupção chamando de irmão e amigo cobrando R$ 130 milhões”, afirmou Simone Tebet.
A ex-ministra também relatou uma conversa que teve com um taxista sobre a repercussão do episódio. Segundo ela, o motorista afirmou que o assunto passou a ser comentado por diferentes grupos, inclusive por eleitores alinhados ao bolsonarismo.
“Eu fui ao médico e na volta peguei um táxi e, conversando com ele, perguntei sobre o que achava da situação. Ele falou que está todo mundo comentando sobre isso, até os mais bolsonaristas do grupo dele estão mais revoltados”, disse.
Para Simone Tebet, o impacto político do caso pode ir além do desgaste pessoal de Flávio Bolsonaro. A avaliação dela é que o episódio pode tornar o senador uma presença difícil em palanques regionais, especialmente em disputas nas quais candidatos aliados tentam evitar associação com denúncias ou investigações.
“A situação pode deixar Flávio tóxico nos palanques regionais. Mas é mais grave que isso. É a reflexão que a sociedade brasileira faz. E não é um único episódio, há várias denúncias envolvendo esse personagem”, declarou.
As conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vieram a público na quarta-feira, 13 de maio, após divulgação feita pelo site The Intercept Brasil. O material aponta que os dois já se conheciam e que tratavam de negociações para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com o conteúdo divulgado, Flávio Bolsonaro teria pedido recursos a Vorcaro para bancar o projeto audiovisual. As mensagens indicariam tratativas iniciadas em 2024 e mantidas até a véspera da primeira prisão do ex-banqueiro em operação da Polícia Federal (PF).
O valor mencionado nas conversas, segundo as informações divulgadas, seria de R$ 61 milhões para financiar a produção. Em outro trecho citado por Simone Tebet, a ex-ministra menciona cobrança de R$ 130 milhões, ponto que, na avaliação dela, reforça a necessidade de investigação sobre o alcance das negociações.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi preso em operação da Polícia Federal. A relação dele com Flávio Bolsonaro passou a ganhar repercussão política por envolver um senador da República e pré-candidato ao Palácio do Planalto em tratativas financeiras para um projeto ligado à imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, as informações divulgadas colocam o caso no centro do debate político nacional. Para aliados e adversários, o episódio pode ter reflexos na corrida presidencial, especialmente porque Flávio Bolsonaro é citado como uma das alternativas do campo bolsonarista para a disputa.
A cobrança feita por Simone Tebet se soma às pressões por apuração formal do caso. A ex-ministra defende que os fatos sejam investigados pelas autoridades competentes para esclarecer se houve irregularidade nas tratativas, qual era a origem dos recursos discutidos e se a negociação teve alguma relação com interesses políticos ou econômicos.
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