Política / Eleições
Quaest mostra Flávio Bolsonaro em queda, mas direita segue sem nome para ocupar espaço
Levantamento aponta Lula com vantagem maior, enquanto alternativas conservadoras permanecem divididas e com baixo desempenho nacional
13/06/2026
08:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A nova pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira, 10 de junho, indica um cenário de desgaste para Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, mas também revela dificuldade dos demais nomes da direita e da centro-direita em herdar votos do eleitorado anti-Lula. Segundo Felipe Nunes, diretor da consultoria, o campo oposicionista vive um impasse: o senador perdeu força, mas seus possíveis concorrentes ainda não conseguiram ocupar esse espaço.
No levantamento de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 39% das intenções de voto em uma simulação de primeiro turno. Flávio Bolsonaro, do PL, registra 29%, ficando dez pontos atrás do petista. Apesar da distância, o senador continua sendo o principal nome da oposição testado pela pesquisa.
O problema, segundo a análise da Quaest, é que os demais nomes da direita e da centro-direita seguem pulverizados. Somados, candidatos fora do núcleo bolsonarista chegam a apenas 12% das intenções de voto, sem demonstrar força suficiente para transformar o desgaste de Flávio em crescimento próprio.

Entre esses nomes, Renan Santos, do Missão, aparece com 3%, empatado com Ronaldo Caiado, do PSD. Romeu Zema, do Novo, registra 2%, mesmo percentual de Aécio Neves, do PSDB, testado pela primeira vez. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, todos estão tecnicamente empatados.
A pesquisa foi a primeira divulgada pela Quaest após a revelação de mensagens em que Flávio Bolsonaro teria pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para Felipe Nunes, a ampliação da vantagem de Lula está ligada a uma combinação de fatores. Entre eles estão a repercussão negativa da atuação de Flávio no episódio envolvendo o Banco Master, os efeitos políticos das medidas anunciadas pelos Estados Unidos após encontro do senador com Donald Trump, e a melhora na avaliação do governo federal, influenciada por medidas econômicas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o programa Desenrola.
Segundo os dados citados pela Quaest, 65% dos entrevistados consideraram um erro a atuação de Flávio no caso envolvendo o Banco Master. Além disso, 58% avaliaram que o episódio pode indicar algum tipo de envolvimento irregular. O impacto desse desgaste aparece principalmente entre eleitores que não se identificam diretamente com o bolsonarismo.
Mesmo assim, Flávio Bolsonaro mantém forte presença entre os bolsonaristas. Nesse grupo, ele concentra 94% das intenções de voto, herdando quase sozinho o capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse dado ajuda a explicar por que o senador segue competitivo, mesmo sob desgaste.
Entre os eleitores de direita que não se consideram bolsonaristas, o quadro é mais fragmentado. Flávio lidera com 59%, mas Renan Santos aparece com 11%, numericamente à frente de Lula, que tem 10%, e de Ronaldo Caiado, com 6% nesse segmento.
Na avaliação de Felipe Nunes, o sobrenome Bolsonaro funciona como vantagem e limite ao mesmo tempo. Ele garante ao senador uma base sólida, mas também dificulta sua expansão para além do eleitorado mais fiel ao ex-presidente. Ao mesmo tempo, os outros nomes da direita ainda não têm conhecimento nacional suficiente para substituí-lo.
“O que a pesquisa evidencia é que a direita hoje vive um paradoxo. Flávio está enfraquecido para unificar, mas os outros são fracos demais para ocupar esse espaço”, afirmou o diretor da Quaest.
Outro ponto destacado no levantamento é o comportamento dos eleitores independentes, considerados decisivos em uma eleição nacional. Nesse grupo, Lula lidera com 28% no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 14%. Ronaldo Caiado registra 6%, e Aécio Neves, 4%.
Em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio, o presidente venceria por 37% a 24% entre os independentes. Outros 30% afirmam que não votariam em nenhum dos dois. Para Nunes, a principal mudança captada pela pesquisa ocorreu justamente nesse eleitorado, que teria migrado de Flávio para Lula.
O resultado reforça a leitura de que a eleição segue marcada pela polarização, mas com um campo oposicionista ainda sem definição clara. Para a direita, o desafio é encontrar um nome capaz de dialogar com o eleitorado bolsonarista sem perder espaço entre conservadores independentes e eleitores menos ideológicos.
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