Polícia / Justiça
Polícia Federal rejeita proposta de delação de Daniel Vorcaro no caso Banco Master
Investigadores consideraram que dono do Banco Master não apresentou fatos novos nem admitiu integralmente os crimes apurados
21/05/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no inquérito que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a instituição.
A avaliação dos investigadores é que o ex-banqueiro não apresentou informações relevantes além das provas já reunidas pela própria investigação. Outro ponto considerado decisivo foi o fato de Vorcaro não ter admitido integralmente os crimes investigados.
Mesmo com a negativa, a defesa ainda pode tentar reabrir as negociações e apresentar novos fatos. Nos bastidores, porém, pessoas que acompanham o caso avaliam que será difícil reverter a posição da Polícia Federal.
Segundo a investigação, Daniel Vorcaro não teria reconhecido, nos anexos entregues às autoridades, informações encontradas em celulares apreendidos pela polícia. Para os investigadores, isso comprometeu a confiança necessária para um acordo de colaboração premiada.
A proposta também enfrentou resistência por causa dos valores de ressarcimento. O ex-banqueiro teria oferecido devolver cerca de R$ 40 bilhões em 10 anos, enquanto a PF e a Procuradoria-Geral da República defendem a restituição de aproximadamente R$ 60 bilhões em prazo menor.
As autoridades consideram Vorcaro o principal líder do esquema investigado. Por isso, entendem que qualquer acordo precisaria ter condições mais rígidas, principalmente diante do tamanho do prejuízo atribuído à quebra do Banco Master.
Os custos relacionados ao colapso da instituição já passam de R$ 57 bilhões. Apenas os valores que devem ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, são estimados em R$ 51,8 bilhões.
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A PF afirma que ele pretendia fugir do país. A defesa sustenta que a viagem seria para encontrar investidores interessados na compra do banco.
Ele foi solto dez dias depois, mas voltou a ser preso em 4 de março, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central. Atualmente, o ex-banqueiro está detido na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, em Brasília.
As apurações seguem em outras frentes. No dia 7 de maio, a PF cumpriu mandados de busca em endereços do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. A investigação apura suspeitas de repasses feitos por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, além do possível pagamento de despesas pessoais do parlamentar.
Outra etapa da investigação levou à prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, em Belo Horizonte, no dia 14 de maio. Ele é investigado por suposta participação em um grupo apontado pela PF como responsável por intimidação, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos eletrônicos.
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