Economia / Segurança
Golpes usam nome do Desenrola Brasil para roubar dados e cobrar falsas taxas
Governo federal alerta que renegociação deve ser feita apenas por canais oficiais, bancos autorizados ou agências dos Correios
20/05/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O novo Desenrola Brasil, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas bancárias, já vem sendo usado por criminosos em golpes aplicados pela internet. As fraudes envolvem sites falsos, promessas de descontos irreais, supostas consultorias e cobranças inexistentes para roubar dados pessoais ou dinheiro de pessoas interessadas em limpar o nome.
Lançado em 5 de maio, o programa permite a renegociação de débitos bancários por canais oficiais. No entanto, o Ministério da Fazenda alertou que criminosos criaram páginas com identidade visual semelhante à do Gov.br, o portal oficial do governo federal, para enganar consumidores.
Em nota, a Fazenda orienta que os interessados procurem diretamente os bancos onde as dívidas foram contraídas ou utilizem plataformas autorizadas. Quem preferir atendimento presencial também pode buscar uma agência dos Correios para renegociar a dívida.
O governo reforça que as instituições financeiras não entram em contato com os clientes para oferecer renegociação por telefone, mensagem ou aplicativos. Caso isso ocorra, a orientação é desconfiar, pois pode se tratar de tentativa de golpe.
Como identificar golpes do Desenrola Brasil
O Desenrola Brasil funciona exclusivamente em canais oficiais vinculados ao domínio gov.br e não cobra taxas administrativas, taxas de análise ou qualquer pagamento antecipado para acesso aos benefícios de renegociação.
A recomendação é buscar sempre informações em fontes oficiais do governo federal e nos canais diretos dos bancos credores envolvidos no programa. Mensagens recebidas por e-mail, SMS, WhatsApp ou publicações em redes sociais que direcionem para sites desconhecidos devem ser tratadas com cautela.
A empresa de cibersegurança Kaspersky informou ter identificado ao menos um golpe em circulação usando o nome do Desenrola Brasil. A avaliação é que esse tipo de fraude pode aumentar devido à alta procura pelo programa.
Segundo Fabio Assolini, diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky, os criminosos utilizam principalmente estratégias de engenharia social, com reprodução da identidade visual de plataformas oficiais e linguagem parecida com a de campanhas governamentais.
“O que mais vimos foram golpes envolvendo sites falsos que imitavam páginas oficiais, promessas de descontos maiores do que os realmente oferecidos e mensagens criando um forte senso de urgência, como alertas de que a dívida iria aumentar caso o pagamento não fosse feito imediatamente”, afirmou Assolini.
Como os golpes funcionam
De acordo com o alerta da Fazenda, uma das estratégias começa com um site falso que simula uma notícia do governo sobre o programa. A página promete limpar o nome do consumidor com descontos de até 96% e convida o usuário a clicar em um botão de “Verificar Elegibilidade”, informando o CPF.
A partir dessa etapa, começa o roubo de dados. O site exibe telas com supostas ofertas de “Renegociação com Desconto de até 96%” e promete limpar o nome em até cinco dias úteis, além de recuperar o acesso ao crédito.
Na sequência, a vítima é induzida a informar nome completo e CPF. Após a falsa verificação, recebe uma mensagem de aprovação, como se o cadastro tivesse sido analisado com sucesso.
Depois disso, o golpe simula a escolha do banco ou da instituição credora e do tipo de dívida, como cartão de crédito. Em seguida, aparece um falso “Atendimento Gov.br” em formato de chat, no qual é apresentado um suposto acordo de quitação disponível para o CPF da vítima.
O golpe avança quando o site passa a cobrar falsas “Taxas Administrativas e de Processamento Eletrônico”, no valor de R$ 92,80. Esse pagamento é apresentado como obrigatório para fechar o acordo, mas a cobrança não existe no programa oficial.
Sites falsos e vídeos manipulados circulam nas redes
Segundo o material analisado, há mais de um site falso explorando o nome do novo programa de renegociação de dívidas. Embora o governo não tenha um site específico para o Desenrola, uma das páginas fraudulentas usa o nome “Desenrola Brasil 2.0” e está hospedada em domínio incomum, fora do padrão dos sites oficiais terminados em .gov.br.
Além dos sites falsos, também foram identificadas abordagens no Facebook e no WhatsApp. Em um dos casos, um vídeo manipulado por inteligência artificial induzia usuários a entrar em contato com uma suposta consultoria de renegociação.
A publicação prometia ajudar pessoas negativadas a limpar o nome e recuperar crédito no mercado, direcionando as vítimas para atendimento por WhatsApp.
Também foram encontrados posts com número de celular e link direto para contato. Em um desses casos, a foto de perfil usada era de um ex-funcionário da Serasa. A pessoa confirmou que não tinha qualquer ligação com o atendimento falso.
Procurada, a Meta afirmou que conteúdos criados para enganar, fraudar ou explorar terceiros não são permitidos em suas plataformas. A empresa orientou os usuários a denunciarem publicações que violem os padrões da comunidade do Facebook, do Instagram e as regras de publicidade da companhia.
Orientação aos consumidores
Para evitar prejuízos, o consumidor deve desconfiar de promessas de descontos muito altos, mensagens com tom de urgência e qualquer pedido de pagamento antecipado. Também é importante conferir o endereço do site antes de informar dados pessoais.
O caminho mais seguro é procurar diretamente o banco onde a dívida foi contraída, acessar canais oficiais do governo federal ou buscar atendimento presencial nas agências autorizadas.
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