Campo Grande (MS), Quarta-feira, 20 de Maio de 2026

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PSDB discute lançar Aécio Neves à Presidência após desgaste de Flávio Bolsonaro

Nome do deputado federal voltou ao debate entre tucanos, Cidadania e Solidariedade depois da desistência de Ciro Gomes e da crise envolvendo Daniel Vorcaro

20/05/2026

18:00

DA REDAÇÃO

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O PSDB passou a discutir a possibilidade de lançar o deputado federal Aécio Neves (MG) como candidato à Presidência da República, em meio ao desgaste político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, sobre pedido de dinheiro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A articulação foi debatida nesta terça-feira (19) em reunião entre Aécio Neves, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, o presidente do Cidadania, Alex Manente, e integrantes da cúpula do PSDB. A ideia, segundo participantes do encontro, é lançar o nome do tucano para avaliar se a pré-candidatura ganha força nas pesquisas e consegue se consolidar como alternativa até as convenções partidárias, previstas para julho.

O ex-presidente do Cidadania, Roberto Freire, deve pedir a convocação de uma reunião da federação PSDB-Cidadania na próxima semana para defender oficialmente a pré-candidatura de Aécio Neves.

Não podemos nos omitir neste quadro que está aqui”, afirmou Freire. “Há tempos venho conversando isso. Não podemos deixar o lulopetismo continuar governando o nosso país, e nem voltar à mediocridade plena que é o bolsonarismo.”

Após a publicação da reportagem, Roberto Freire tornou público o pedido de reunião entre PSDB e Cidadania para discutir o lançamento da candidatura do tucano. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o país não pode ter o futuro “sequestrado pelo medo, pelo ódio ou pelo atraso” e defendeu a reconstrução de pontes entre os brasileiros.

Ciro Gomes optou pelo Governo do Ceará

Antes da movimentação em torno de Aécio Neves, o PSDB chegou a discutir uma alternativa interna com o nome de Ciro Gomes (PSDB) para disputar a Presidência. No entanto, Ciro preferiu concorrer ao Governo do Ceará, onde aparece na liderança das pesquisas.

Outra possibilidade considerada pelo campo tucano era o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Ele, porém, deixou o PSDB no ano passado, filiou-se ao PSD e permaneceu no governo gaúcho após ser preterido pelo novo partido, o que impede sua candidatura presidencial.

O deputado federal Paulinho da Força confirmou que o nome de Aécio Neves foi discutido na reunião desta terça-feira e disse ser entusiasta da proposta. Aliados avaliam, inclusive, que Paulinho poderia compor a chapa como candidato a vice.

Conversamos um pouco sobre isso, ele está a fim. Tem um movimento muito grande no partido dele. Eu fiz um apelo para ele lançar a candidatura. Acho que, com esse derretimento do Flávio, vai sobrar um povo que não quer votar no PT e que não tem alternativa”, afirmou Paulinho da Força.

Estratégia mira eleitor de centro

A estratégia discutida entre os partidos é apresentar Aécio Neves como uma alternativa de centro, capaz de se diferenciar dos demais nomes da centro-direita e da direita ao fazer críticas tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto a Flávio Bolsonaro.

A avaliação de aliados é que o desgaste envolvendo o senador do PL pode abrir espaço para um nome que dialogue com eleitores que rejeitam o PT, mas também não querem aderir ao bolsonarismo.

Procurado, Aécio Neves não quis comentar. Até então, o PSDB trabalhava com a possibilidade de ele disputar uma vaga ao Senado por Minas Gerais ou tentar a reeleição para deputado federal.

A movimentação não foi precedida por pesquisas internas próprias, mas aliados apostam na visibilidade nacional do tucano, que foi governador de Minas Gerais por dois mandatos e candidato à Presidência em 2014.

Naquele ano, Aécio Neves chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff (PT) e terminou a disputa com 48,36% dos votos, contra 51,64% da petista, que foi reeleita.

Lava Jato marcou queda política do tucano

Depois da eleição de 2014, Aécio Neves foi atingido por denúncias no contexto da Operação Lava Jato, assim como outras lideranças do PSDB. O partido, que já ocupou posição central na política nacional, passou a perder força nos anos seguintes.

Integrantes do PSDB avaliam que uma eventual pré-candidatura presidencial também poderia servir como oportunidade para Aécio tentar reconstruir publicamente sua imagem. Mesmo que o projeto não avance até a eleição, tucanos afirmam que a exposição permitiria reforçar que ele foi inocentado pela Justiça em acusações feitas no período da Lava Jato.

Para aliados, o caso de Aécio Neves poderia ser colocado em contraste com denúncias envolvendo o governo Lula e, mais recentemente, com a crise de Flávio Bolsonaro, que admitiu tratativas com Daniel Vorcaro para financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador afirma que se tratava de um investimento privado, sem uso de dinheiro público ou contrapartidas irregulares.

Gravação com Joesley Batista foi principal denúncia

A denúncia de maior repercussão contra Aécio Neves envolveu a gravação de uma conversa, em 2017, com Joesley Batista, dono do grupo J&F, controlador da marca JBS. No áudio, o tucano pedia R$ 2 milhões para pagar sua defesa na Lava Jato.

O dinheiro foi entregue a um primo de Aécio, em ação filmada pela Polícia Federal. A gravação de cerca de 30 minutos foi entregue à PGR (Procuradoria-Geral da República) e integrou o acordo de delação premiada de Joesley Batista.

A acusação, no entanto, foi rejeitada pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal de São Paulo. Na decisão, proferida em 2022, o magistrado entendeu que não havia provas suficientes para vincular o pedido de empréstimo a atos de corrupção.

Segundo o juiz, o que havia eram “negócios lícitos”, como doação eleitoral, compra de apartamento e pedido de empréstimo.

Na época, Aécio Neves afirmou, em nota, que “a farsa foi desmascarada” e que teria sido demonstrada uma fraude montada por membros da PGR e por delatores.

Com a nova movimentação, o PSDB tenta avaliar se ainda há espaço político para uma candidatura nacional de Aécio Neves em um cenário marcado pela disputa entre lulismo, bolsonarismo e uma busca persistente por alternativas de centro.


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