Política / Justiça
Dino cobra explicações da Câmara sobre viagem internacional de Mário Frias
Ministro do STF deu prazo de 48 horas para a Casa informar detalhes sobre deslocamento do deputado ao Bahrein e aos Estados Unidos
20/05/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas para que a Câmara dos Deputados preste esclarecimentos sobre a viagem internacional do deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao Bahrein e aos Estados Unidos.
A decisão foi assinada nesta quarta-feira (20), depois que um oficial de Justiça do Supremo não conseguiu notificar o parlamentar para prestar esclarecimentos em uma apuração preliminar sobre o envio de emendas parlamentares a uma organização não-governamental ligada à produtora responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em entrevista concedida ao SBT News, Mário Frias afirmou que esteve no Bahrein na semana passada para “propor investimentos no Brasil” e que agora está nos Estados Unidos, onde fará a “prospecção de um investimento em segurança pública”.
O deputado disse ainda que deve retornar ao Brasil nos próximos dias e negou qualquer tentativa de evitar esclarecimentos.
“Eu tenho passagem de volta para o Brasil. Tenho uma filha de 14 anos no Brasil, a minha esposa está no Brasil. Não devo nada e estou pronto para prestar contas”, afirmou.
Oficial tentou localizar deputado cinco vezes
A cobrança feita por Flávio Dino ocorre após o oficial de Justiça do STF tentar contato com Mário Frias e com o gabinete do parlamentar em cinco ocasiões.
Na quarta-feira (13) da semana passada, o servidor ligou para o gabinete do deputado na Câmara. Segundo o relato, a secretária informou que Frias “estava em uma missão internacional” e não tinha previsão de retorno.
Nesta segunda-feira (18), o oficial foi até o endereço do deputado em Brasília, mas o porteiro do edifício informou que Mário Frias não mora no local há cerca de dois anos.
Diante da dificuldade de notificação, Flávio Dino determinou que a Câmara informe oficialmente os dados sobre a viagem do parlamentar.
Apuração envolve emendas para ONG ligada à produtora de filme
Mário Frias é apontado como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, produção ainda não lançada que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro.
O deputado é alvo de uma apuração preliminar no STF sobre suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pelas gravações da cinebiografia.
O caso chegou ao Supremo por meio de uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Mário Frias sustenta que não houve irregularidade na destinação das emendas. O parlamentar cita um parecer da Advocacia da Câmara, segundo o qual não haveria inconsistências ou vícios formais nos repasses.
Filme entrou no centro de nova crise política
O filme sobre Jair Bolsonaro passou a ganhar maior repercussão depois que o site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro. Ele afirmou que os recursos tratados eram privados e relacionados ao financiamento do projeto audiovisual.
A apuração no STF segue em fase preliminar. Com a decisão de Flávio Dino, a Câmara dos Deputados deverá informar, no prazo estabelecido, os detalhes sobre a viagem internacional de Mário Frias e sua situação funcional durante o período fora do país.
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