Justiça / Master
PF identifica cerca de 5 mil arquivos classificados como nudez nos celulares de Vorcaro
Material integra acervo de aproximadamente 500 GB enviado a ministros do STF; classificação técnica não significa que todos os arquivos tenham conteúdo sexual explícito
20/09/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A perícia da Polícia Federal (PF) nos celulares de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, identificou cerca de 5 mil itens classificados tecnicamente como “Score nudez”. A informação foi divulgada neste domingo (20) pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, e repercutida por outros veículos.
Os arquivos fazem parte do conjunto de aproximadamente 500 gigabytes extraído dos aparelhos apreendidos pela PF. O acervo completo reúne fotografias, vídeos, conversas, áudios, documentos e registros de atividades dos dispositivos.
Há uma diferença importante em relação à informação inicialmente divulgada: os 500 GB correspondem ao conjunto total de dados extraídos dos aparelhos, e não apenas às imagens de nudez ou conteúdo sexual.
A expressão “Score nudez” é utilizada na análise forense para auxiliar a identificação e organização de imagens e vídeos que apresentam características compatíveis com nudez.
Isso significa que a ferramenta faz uma triagem dentro de um grande volume de arquivos. A classificação, isoladamente, não comprova que todos os cerca de 5 mil itens contenham cenas de sexo explícito, nem esclarece quem aparece nas imagens, quando foram produzidas ou em qual contexto.
Também não há, até o momento, informação pública que permita relacionar automaticamente esses arquivos íntimos às suspeitas investigadas no caso Banco Master.
A existência desse conteúdo, por si só, não configura evidência de crime. A relevância de cada arquivo para a investigação dependerá da análise realizada pelas autoridades.
Cópias do material extraído pela PF foram encaminhadas a gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que solicitaram acesso ao conteúdo.
Entre os ministros que receberam os dados estão Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Reportagens também apontam acesso solicitado por outros integrantes da Corte.
Por conter informações privadas de Vorcaro e de terceiros que podem não ter qualquer relação com as investigações, o acesso ao acervo é mantido de forma restrita nos gabinetes. O procedimento busca evitar a exposição indevida de dados pessoais e preservar eventuais linhas de investigação.
A perícia utilizou ferramentas especializadas para extrair, organizar e recuperar informações dos aparelhos, inclusive dados apagados ou protegidos por senha.
O material foi processado pelo IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), sistema utilizado na perícia digital para organizar grandes quantidades de informações e permitir buscas por arquivos, conversas e outros elementos.
A PF informou que mantém sob sua guarda os dados originais e utiliza mecanismos destinados a preservar a cadeia de custódia e a integridade das evidências digitais.
O envio do acervo aos ministros teve outro desdobramento neste fim de semana. André Mendonça e Luiz Fux comunicaram à PF, no sábado (19), que seus gabinetes não haviam conseguido acessar adequadamente as cópias recebidas.
Os ministros solicitaram suporte técnico da corporação para abrir e examinar o material. Até então, não havia explicação definitiva sobre a origem da dificuldade.
O problema de acesso não significa que os arquivos tenham sido perdidos, alterados ou corrompidos. A PF mantém o material original e os mecanismos de verificação de sua integridade.
Os aparelhos de Vorcaro foram apreendidos pela Polícia Federal em novembro de 2025, no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
Desde então, informações extraídas dos dispositivos passaram a subsidiar diferentes frentes investigativas e revelaram contatos do empresário com autoridades e integrantes dos Três Poderes.
Parte dessas informações ganhou repercussão após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. Moraes contesta as interpretações feitas a partir desse material e nega ter favorecido Vorcaro ou o Banco Master.
A análise dos aproximadamente 500 GB permanece em andamento. A tarefa dos investigadores e dos gabinetes do Supremo será separar o conteúdo efetivamente relacionado às apurações daquele que pertence exclusivamente à esfera privada das pessoas envolvidas.
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