Justiça / Ética
Fachin apresenta ao CNJ código de ética com regras sobre conflitos de interesse
Proposta orienta magistrados e servidores sobre presentes, eventos e vínculos pessoais, mas não alcança ministros do STF
03/08/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, apresentará nesta terça-feira (4) ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma proposta de código de ética destinada ao Poder Judiciário. O texto estabelece orientações para prevenir conflitos de interesse e preservar a imparcialidade nas decisões judiciais e administrativas.
A minuta será analisada pelos conselheiros do CNJ, órgão também comandado por Fachin. As regras são direcionadas a tribunais, magistrados e servidores, mas não criam novas punições nem modificam as normas já existentes sobre impedimento e suspeição.
O código define procedimentos para identificar e administrar conflitos de interesse reais, potenciais ou aparentes. Diante dessas situações, o magistrado poderá comunicar formalmente o caso, deixar de participar de decisões ou procedimentos administrativos e tomar outras providências para evitar questionamentos sobre sua independência.
Segundo Fachin, a proposta possui caráter preventivo e orientador. O documento dedica um capítulo às chamadas “situações de atenção especial”, entre elas a participação em eventos financiados por terceiros, o recebimento de presentes, os vínculos familiares e as relações com fornecedores ou grandes litigantes.
Em relação a presentes, benefícios, cortesias e hospitalidades, a minuta determina a observância dos princípios da impessoalidade, prudência, proporcionalidade, transparência e independência funcional.
“Os tribunais deverão examinar, de forma objetiva, em cada caso, os critérios para aceitação, recusa, devolução ou destinação institucional de presentes, observadas as normas legais aplicáveis e as situações de caráter protocolar ou institucional”, estabelece um trecho da proposta.
O texto não será aplicado aos ministros do STF. Um código de ética específico para a Corte está sendo elaborado pela ministra Cármen Lúcia, com previsão de conclusão até o fim de 2026.
Caso seja aprovada pelo CNJ, a proposta deverá orientar a conduta interna do Judiciário e ampliar a transparência sobre situações capazes de gerar dúvidas quanto à imparcialidade de magistrados e servidores.
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