Política / Justiça
Lula diz que não usará cargo para proteger Lulinha em investigação da PF
Presidente afirma que filho não terá privilégios e deverá responder às autoridades; defesa nega irregularidades e critica novo inquérito
30/07/2026
20:15
DA REDAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não usará o cargo para proteger o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção e tráfico de influência.
A declaração foi dada na quinta-feira, 30 de julho, durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. Segundo Lula, o empresário deverá responder às autoridades da mesma forma que qualquer outro cidadão.
“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa, como eu. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas”, declarou.
O presidente afirmou que ajudará o filho caso ele seja inocente, mas disse que não interferirá no trabalho da polícia ou do Judiciário.
“Se ele estiver certo, ele vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Ele não tem o direito de errar”, disse.
Lula também declarou que Lulinha retornará ao Brasil se for chamado pelas autoridades e que não ficará escondido no exterior.
“Se for julgado, ele virá para cá. Não vai ficar escondido, não. Não vou utilizar o cargo para protegê-lo. Ele vai ter que provar que é inocente, como eu provei. E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra”, afirmou.
As declarações ocorreram no mesmo dia em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a PF a investigar Lulinha por suposta atuação em favor do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A nova apuração busca esclarecer se o filho do presidente teria utilizado sua proximidade com integrantes do governo para facilitar o acesso de Antunes ao Ministério da Saúde em negociações envolvendo medicamentos à base de canabidiol.
A autorização judicial permite que a PF abra o procedimento investigativo. Até a última atualização, o inquérito ainda não havia sido formalmente instaurado, segundo informação obtida pela Reuters. A medida não representa denúncia ou condenação, e as suspeitas ainda serão apuradas.
Antunes é um dos principais investigados pela Operação Sem Desconto, que apura cobranças irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A Polícia Federal investiga uma possível relação comercial entre Lulinha, o Careca do INSS e a empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente.
Antunes teria contratado Roberta para prospectar oportunidades no setor de cannabis medicinal em favor da World Cannabis, empresa que pertencia ao lobista. A suspeita é de que Lulinha tenha auxiliado na aproximação com integrantes do Ministério da Saúde.
O lobista tentou negociar com a pasta, entre 2024 e 2025, a venda de medicamentos à base de canabidiol. O contrato, entretanto, não foi firmado.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que nunca manteve contrato com a World Cannabis ou com os acionistas citados nas investigações.
“Dessa maneira, nunca fez nenhum repasse de recursos públicos a eles”, declarou a pasta.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, negou que o empresário tenha participado de irregularidades.
Segundo a defesa, a PF abriu uma nova frente de investigação porque não encontrou elementos que vinculassem o filho do presidente às fraudes apuradas na Operação Sem Desconto.
“Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave”, afirmou.
A investigação tramita sob sigilo. Caberá à Polícia Federal reunir provas e verificar se houve tráfico de influência, corrupção ou qualquer interferência indevida em órgãos do governo federal.
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