Justiça / Política
Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência
Inquérito sigiloso apurará possíveis irregularidades em negociações envolvendo cannabis medicinal e órgãos do governo federal
30/07/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A investigação, que tramita sob sigilo, apurará suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas a possíveis negócios no setor de cannabis medicinal. Uma das linhas de apuração é a eventual oferta de acesso a integrantes do governo federal em troca de benefícios financeiros.
A autorização foi concedida após pedido da própria Polícia Federal. O caso chegou ao gabinete de Mendonça na quarta-feira, 29 de julho, por prevenção, devido à possível conexão com investigações já conduzidas pelo ministro sobre os descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A abertura do inquérito não significa que os crimes tenham sido comprovados. O objetivo é reunir elementos para confirmar ou afastar as suspeitas.
O nome de Lulinha apareceu nas investigações da Operação Sem Desconto por causa de sua relação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos principais investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
A PF identificou possíveis negociações entre Antunes, Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger para desenvolver um projeto relacionado à cannabis medicinal.
Segundo os autos, o filho do presidente informou ao STF que viajou a Portugal com despesas pagas por Antunes para avaliar uma oportunidade de negócio no setor. A aproximação teria sido intermediada por Roberta.
Os investigadores também identificaram pagamentos que somam R$ 1,5 milhão feitos pelo Careca do INSS para a empresária. A defesa dela afirmou anteriormente que os valores eram referentes a serviços de consultoria e intermediação ligados à regulamentação do mercado de canabidiol.
De acordo com os advogados, as tratativas não avançaram e Roberta não teve envolvimento com os descontos ilegais aplicados nos benefícios do INSS.
A PF pretende esclarecer se as relações entre os envolvidos permaneceram no campo empresarial ou se houve tentativa de interferência no Ministério da Saúde ou em outros setores do governo federal.
Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que Roberta Luchsinger esteve quatro vezes no Ministério da Saúde entre 2023 e 2024. Apenas uma das reuniões teria aparecido na agenda oficial da pasta.
Em uma das visitas, Roberta e o Careca do INSS estiveram no mesmo dia e horário na Secretaria-Executiva do ministério, então comandada por Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.
A investigação também deverá analisar viagens internacionais e pagamentos realizados por empresas relacionadas aos envolvidos. Um relatório da PF apontou que uma agência de turismo, que teria recebido mais de R$ 640 mil de uma empresa de Roberta, aparece vinculada a dados cadastrais de Lulinha em trechos internacionais.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa o empresário, afirmou ter recebido a notícia com perplexidade, mas disse que a defesa está tranquila.
“É estranha a notícia sobre a instauração de um novo inquérito. A impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de fishing expedition, o que é muito grave. Recebemos, portanto, com estranheza, mas com tranquilidade”, declarou.
O termo usado pelo advogado se refere à abertura de uma investigação ampla em busca de eventuais irregularidades ainda não delimitadas.
“Teremos a oportunidade, uma vez mais, de demonstrar que Fábio não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade”, completou.
Em fevereiro de 2026, Mendonça já havia autorizado a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha no contexto das apurações sobre as fraudes no INSS. Na ocasião, a defesa afirmou que o empresário não participou dos desvios e manifestou disposição para colaborar com as autoridades.
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