Política / Eleições 2026
Moraes cobra explicações sobre vídeo de Bolsonaro produzido com inteligência artificial
Defesa terá 48 horas para informar se ex-presidente autorizou gravação exibida na convenção do PL; caso pode envolver violação de cautelares ou uso de deepfake.
28/07/2026
20:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informe, no prazo de 48 horas, se ele autorizou a utilização de sua imagem e de sua voz em um vídeo produzido com inteligência artificial e exibido durante a convenção nacional do PL, realizada no sábado (25).
Na gravação, uma representação digital de Bolsonaro afirma que está “preso e calado por uma decisão arbitrária”, declara que nenhuma prisão seria capaz de silenciar o movimento político de seus apoiadores e pede que o público receba o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de braços abertos como candidato à Presidência da República.
Segundo Moraes, a autorização do ex-presidente para a produção ou divulgação do material poderá ser interpretada como descumprimento das medidas cautelares impostas pela Corte.
“A eventual concordância de Jair Messias Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais, constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial”, afirmou o ministro.
Moraes acrescentou que uma eventual violação poderá levar à revisão da prisão domiciliar humanitária e ao retorno do ex-presidente ao regime fechado.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão e está em prisão domiciliar humanitária desde 24 de março, inicialmente pelo prazo de 90 dias, para tratamento de uma broncopneumonia.
Entre as restrições determinadas pelo STF está a proibição de utilizar redes sociais de forma direta ou por intermédio de terceiros. O ex-presidente também não pode divulgar manifestações de caráter político-eleitoral, independentemente do meio utilizado.
Na decisão, Moraes destacou ainda que Bolsonaro está com os direitos políticos suspensos em razão da condenação criminal.
Caso a defesa confirme que houve autorização para o uso da imagem e da voz no vídeo, o ministro avaliará se o conteúdo representou participação indireta em atividade eleitoral e violação das condições impostas durante o cumprimento da pena.
Moraes também afirmou que, se Bolsonaro não autorizou a produção do vídeo, o caso poderá envolver o uso irregular de deepfake, prática proibida pela legislação eleitoral.
“Além de constituir desrespeito à ordem judicial por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal, tal conduta poderá tipificar a denominada ‘deepfake’, prática expressamente vedada pela legislação eleitoral”, registrou.
Deepfake é o conteúdo criado ou manipulado por inteligência artificial para reproduzir a imagem, a voz ou os gestos de uma pessoa, com aparência de autenticidade. A tecnologia pode ser utilizada para fazer alguém parecer dizer ou fazer algo que não ocorreu.
As normas eleitorais restringem o emprego desse tipo de recurso em campanhas, especialmente quando não há identificação clara de que o material foi produzido artificialmente ou quando existe potencial para enganar o eleitor.
O Partido dos Trabalhadores (PT) já havia acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o PL e Flávio Bolsonaro por suposta propaganda eleitoral antecipada e utilização irregular de inteligência artificial.
A representação questiona o uso da imagem de Bolsonaro para apoiar a candidatura do filho e pede a apuração das circunstâncias em que o material foi produzido e exibido.
Antes da convenção, Moraes já havia considerado que Bolsonaro descumpriu as condições da prisão domiciliar depois que Flávio divulgou uma carta na qual o pai o apresentava como porta-voz e reafirmava apoio à candidatura presidencial.
Como consequência, o ministro proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente pelo prazo de 90 dias.
Após receber os esclarecimentos da defesa, Moraes deverá decidir se houve autorização, descumprimento das cautelares ou produção irregular de conteúdo eleitoral com inteligência artificial.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
PRTB homologa Leonardo Avalanche como candidato à Presidência
Leia Mais
Michelle reúne-se com Valdemar e pode definir candidatura ao Senado pelo DF
Leia Mais
Morre Franco Baresi, lenda do Milan e campeão mundial pela Itália, aos 66 anos
Leia Mais
Emendas de Efraim Filho sobre mercado de carbono aparecem em celular de Vorcaro, diz PF
Municípios