Campo Grande (MS), Sexta-feira, 26 de Junho de 2026

Política / Eleições 2026

Tarcísio minimiza atrito entre Michelle e Flávio Bolsonaro e fala em “questão familiar”

Governador de São Paulo afirma que aliados devem superar divergência e defende unidade do grupo para a disputa eleitoral de 2026

26/06/2026

18:00

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tratou como uma questão interna da família Bolsonaro o desgaste público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República. A declaração foi dada nesta sexta-feira, 26, durante agenda em Diadema, na Região Metropolitana paulista.

Questionado sobre o episódio, Tarcísio afirmou acreditar que Michelle e Flávio devem chegar a um entendimento em breve. Segundo ele, a divergência não deve comprometer a articulação política do grupo bolsonarista para as eleições de 2026.

“Acho que essa questão da Michelle com ele é uma questão familiar e tenho certeza de que, em breve, eles chegarão a um entendimento e poderão seguir juntos”, disse o governador, após participar da inauguração da chamada Praça da Cidadania.

O atrito ganhou força depois que Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, na quarta-feira, 24, relatando ter sido “maltratada, humilhada e desrespeitada” por Flávio Bolsonaro durante uma conversa telefônica. De acordo com a presidente nacional do PL Mulher, o senador teria dito que ela “havia chegado ontem” e que “não entendia nada de política”.

A tensão entre os dois começou em dezembro, após Michelle criticar o apoio do PL do Ceará a Ciro Gomes (PSDB). Ela defendia a pré-candidatura de sua aliada Priscila Costa ao Senado, enquanto o grupo de Flávio passou a apoiar Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes.

Flávio Bolsonaro negou ter desrespeitado Michelle. Em resposta, afirmou que “nunca” maltratou ou humilhou uma mulher e disse que jamais faria isso com a esposa de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Depois da repercussão, Michelle também negou que exista uma “briga” entre os dois.

Para Tarcísio, o campo político aliado ao ex-presidente precisa manter coesão diante de uma eleição que, segundo ele, tende a ser difícil. O governador afirmou que a disputa deverá colocar em confronto diferentes projetos e visões de futuro, o que exigiria unidade entre os partidos de oposição ao governo federal.

Apoio do Republicanos a Flávio

Tarcísio também indicou que há uma tendência de o Republicanos apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Apesar disso, ponderou que a construção da aliança dependerá dos arranjos regionais e da composição dos palanques nos Estados.

Segundo o governador, o Republicanos tem nomes competitivos para disputas estaduais e espera que o PL faça concessões em alguns locais para viabilizar uma parceria nacional mais ampla.

Em São Paulo, Tarcísio afirmou que trabalha para ampliar sua base de apoio na disputa pela reeleição. Ele citou a intenção de atrair PSDB, Cidadania e a federação formada pelas duas siglas para seu palanque. Na avaliação dele, a adesão desses partidos ajudaria a fortalecer um bloco eleitoral mais robusto no Estado.

Atualmente, a pré-campanha de Tarcísio conta com o apoio de dez partidos: Republicanos, PL, MDB, PP, PSD, União Brasil, Podemos, Novo, Solidariedade e PRD.

O governador evitou comentar a escolha do ex-governador paulista e ex-ministro Márcio França (PSB) como vice na chapa de Fernando Haddad (PT), seu provável adversário na disputa estadual. Sobre o Senado, disse que a estratégia permanece a mesma, com apoio às pré-candidaturas do deputado federal Guilherme Derrite (PP) e do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL).

Tarcísio afirmou ainda que tem evitado responder a ataques políticos. “A gente tem fugido das provocações. A gente está sendo muito agredido, muito atacado, e não está respondendo, porque está focado no trabalho”, declarou.

A fala ocorre em meio à troca de críticas entre Tarcísio e Haddad. No início de junho, o governador ironizou o ministro da Fazenda ao dizer que ele seria o “melhor ministro da Fazenda do Paraguai”.


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