Política / Crise
Eduardo Bolsonaro republica críticas a Michelle e reforça apoio a Flávio após crise familiar
Ex-deputado compartilhou conteúdos que questionam a ex-primeira-dama e defendem o senador como nome presidencial do grupo bolsonarista
26/06/2026
10:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Eduardo Bolsonaro evitou fazer declaração direta sobre os vídeos em que Michelle Bolsonaro acusa o senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, de humilhação. Nas redes sociais, porém, o ex-deputado passou a quinta-feira, 25 de junho, republicando conteúdos que questionam as motivações da madrasta e reforçam a imagem do irmão como possível candidato à Presidência.
Em uma das publicações, Eduardo compartilhou o link de um vídeo com o título “Dossiê: Michelle - As Notícias Desmentem”. Ao divulgar o conteúdo, escreveu: “Sempre fazendo uma viagem ao passado para compreender o presente”.
Na gravação, um youtuber acusa a ex-primeira-dama de não apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, de dificultar o acesso de filhos e aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante a prisão domiciliar e de agir por interesses pessoais, em vez de priorizar a derrota do PT.
O ex-deputado também republicou um vídeo de Alexandre Ramagem, ex-parlamentar que vive nos Estados Unidos enquanto enfrenta processo de extradição solicitado pelo Brasil. Na publicação, Ramagem afirmou que Michelle teria trazido à tona um assunto de sete meses atrás para prejudicar Flávio.
Segundo Ramagem, a ex-primeira-dama estaria contrariada por não ter aceitado a decisão de Jair Bolsonaro sobre a candidatura. Ele classificou a postura de Michelle como uma reação de insatisfação política dentro do próprio grupo.
Aliados de Flávio Bolsonaro tentam tratar os vídeos publicados por Michelle como resultado de uma decisão impulsiva, motivada pelo momento emocional vivido pela família. O próprio senador adotou essa linha ao comentar a crise.
“Toda nossa família está passando por um momento muito difícil. Entendo a angústia da Michelle vendo meu pai, todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça”, afirmou Flávio. “Eu também sofro, mas sigo firme”, completou.
Nos vídeos que provocaram a crise, Michelle Bolsonaro afirmou sofrer ataques diários coordenados por um grupo que estaria nos Estados Unidos, onde vivem Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e outros aliados bolsonaristas.
Além das críticas à ex-primeira-dama, Eduardo também dedicou espaço nas redes sociais a publicações em defesa do irmão. Ele republicou uma mensagem de Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio, que descreveu o senador como uma pessoa “leve, respeitosa, carinhosa e pai dedicado”.
Outra republicação foi de uma fala do jornalista Claudio Dantas, que avaliou que Michelle esperava de Flávio uma reação agressiva, mas que o senador teria respondido com “empatia e humildade, dignas de uma liderança madura”.
Apoiadores também reforçaram a defesa do senador. Claudia Aker, aliada do grupo, classificou o vídeo de Flávio Bolsonaro como “impecável, inteligente e agregador” e afirmou que ele “merece ser o próximo presidente do Brasil”.
A tensão entre Eduardo e Michelle já havia aparecido antes da crise familiar ganhar maior repercussão. Na terça-feira, 23 de junho, ao comentar o debate sobre a aliança do PL com Ciro Gomes, do PSDB, no Ceará, o ex-deputado fez uma provocação indireta à madrasta.
“Obrigado Jair Bolsonaro e André Fernandes por fazerem um trabalho sério e com inteligência. Não se faz política com o fígado”, escreveu Eduardo, em referência à oposição pública de Michelle à composição com Ciro Gomes no Estado.
Fora da crise familiar, Eduardo Bolsonaro também comentou a vitória de Keiko Fujimori na eleição presidencial do Peru, classificando o resultado como uma vitória da direita. O ex-deputado ainda compartilhou registros de sua ida ao jogo do Brasil contra a Escócia, pela Copa do Mundo, transformando a presença no estádio em provocação ao filho do presidente Lula.
A movimentação nas redes mostra que a crise familiar ultrapassou o campo privado e passou a interferir diretamente na disputa interna do bolsonarismo. Com Flávio sendo apresentado por aliados como nome presidencial e Michelle resistindo a decisões do grupo, o episódio expõe uma divisão que pode pesar na organização política da direita para as próximas eleições.
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