Campo Grande (MS), Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

Saúde / Prevenção

Teste do pezinho ajuda a detectar doenças raras nos primeiros dias de vida

Exame gratuito pelo SUS permite identificar alterações antes dos sintomas e iniciar cuidados para evitar sequelas

05/06/2026

08:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O teste do pezinho é um dos exames mais importantes realizados nos primeiros dias de vida do bebê e pode ser decisivo para identificar doenças raras, genéticas, metabólicas, infecciosas, endocrinológicas e hematológicas antes mesmo do aparecimento dos sintomas. No Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado em 6 de junho, especialistas reforçam que a triagem neonatal é uma ferramenta essencial para proteger o desenvolvimento infantil e salvar vidas.

Obrigatório e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o exame é feito a partir da coleta de pequenas gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido. A região é utilizada por ser rica em vasos sanguíneos, o que facilita o procedimento e permite a análise laboratorial de marcadores importantes para a saúde da criança.

Segundo Pollyana Estephanelli, professora do curso de Enfermagem da Afya Centro Universitário Itaperuna, o período ideal para realização do teste é entre o 3º e o 5º dia de vida. Nessa fase, o organismo do bebê já iniciou o metabolismo de proteínas e outros nutrientes, o que melhora a capacidade de identificar alterações relacionadas a diferentes doenças.

A especialista explica que o procedimento é simples, rápido e seguro. Após a higienização do local, o sangue é coletado em papel-filtro específico e encaminhado para análise em laboratório de referência. O exame pode causar apenas um desconforto momentâneo e não oferece riscos significativos quando feito por profissionais capacitados.

Apesar da importância, ainda existe a ideia equivocada de que o teste do pezinho serve para detectar apenas uma ou duas doenças. Na prática, a triagem neonatal é uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública, porque permite rastrear condições capazes de afetar o desenvolvimento neurológico, cognitivo e motor da criança.

De acordo com Pollyana Estephanelli, algumas doenças, quando não identificadas cedo, podem causar sequelas permanentes e até levar à morte. Por isso, a realização do exame dentro do prazo recomendado e o acompanhamento do resultado são tão importantes quanto a coleta.

Para a médica Isabela Pires, professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, o grande benefício do teste é permitir a identificação de doenças silenciosas. Muitas dessas condições não apresentam sinais evidentes nos primeiros meses. O bebê pode parecer saudável, mesmo já tendo alterações importantes no organismo.

Entre as doenças mais conhecidas rastreadas pelo exame estão hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria, fibrose cística, anemia falciforme e hiperplasia adrenal congênita. A quantidade de condições investigadas pode variar conforme a modalidade do teste, que pode ser básica, ampliada ou expandida.

A médica explica que o rastreamento precoce permite iniciar tratamento, acompanhamento ou cuidados específicos antes que a doença cause danos maiores. Em alguns casos, como na fenilcetonúria e no hipotireoidismo congênito, a intervenção nas primeiras semanas de vida pode favorecer crescimento e desenvolvimento mais próximos do esperado.

As especialistas também alertam que um resultado alterado não significa, necessariamente, diagnóstico confirmado. Em muitas situações, é preciso fazer nova coleta ou exames complementares para confirmar a condição. O ponto mais importante é que os pais não ignorem o chamado da unidade de saúde e sigam corretamente as orientações médicas.

Além de realizar o exame no prazo adequado, as famílias devem buscar o resultado e manter contato com a unidade responsável pela coleta. Essa etapa é essencial para garantir que qualquer alteração seja investigada rapidamente e que o bebê receba atendimento especializado, se necessário.

O teste do pezinho começou a ser realizado no Brasil na década de 1970, mas passou a integrar oficialmente o Programa Nacional de Triagem Neonatal em 2001. Embora o nome popular seja amplamente conhecido, o termo técnico do exame é triagem neonatal biológica.

Outro detalhe importante é que nem sempre uma única coleta é suficiente. Bebês prematuros, recém-nascidos que receberam transfusão sanguínea ou crianças que passaram por situações capazes de interferir nos resultados podem precisar repetir o exame para garantir maior precisão.

A ampliação da triagem neonatal permite investigar um número maior de doenças, incluindo condições raras, genéticas, metabólicas, imunológicas e endocrinológicas. Por isso, especialistas defendem que o tema seja cada vez mais divulgado entre pais, gestantes e profissionais de saúde.

Na prática, o teste do pezinho é uma medida simples, mas com grande impacto. Quando feito no período correto e acompanhado adequadamente, o exame ajuda a antecipar diagnósticos, reduzir complicações, orientar tratamentos e oferecer ao bebê melhores chances de desenvolvimento saudável.


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