Política / Justiça
Eventual acordo de Vorcaro deve ser avaliado após perícia em celulares apreendidos pela PF
Investigação sobre o dono do Banco Master avança com análise de novos aparelhos recolhidos na terceira fase da Operação Compliance Zero; defesa afirma não ter informação sobre intenção de colaboração
08/03/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A possibilidade de um eventual acordo de colaboração premiada envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou a ser tratada nos bastidores da investigação, mas qualquer discussão concreta sobre esse caminho deve ocorrer somente após a Polícia Federal concluir a extração e a análise dos dados armazenados nos celulares apreendidos com o investigado. A informação foi publicada neste domingo, 8 de março, pelo Metrópoles.
Segundo a apuração, os investigadores recolheram mais três aparelhos no momento da prisão de Vorcaro, realizada em São Paulo, na última quarta-feira, 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Com isso, chegou a oito o número de celulares vinculados ao empresário sob custódia para perícia. De acordo com a reportagem, os novos aparelhos permanecem lacrados e ainda aguardam exame técnico.
A nova etapa da operação foi confirmada oficialmente pela Polícia Federal, que informou ter deflagrado a ação para investigar a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, em apuração sobre suposta atuação de organização criminosa. Na ocasião, foram cumpridos 4 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, com apoio do Banco Central.
A avaliação sobre eventual colaboração ganhou relevância à medida que surgiram novas informações extraídas dos dispositivos já recolhidos anteriormente. O avanço da perícia é visto pelos investigadores como etapa essencial para dimensionar o alcance do caso, identificar eventuais conexões e definir o peso de uma possível negociação judicial. Pela Lei das Organizações Criminosas, acordos de colaboração podem ser firmados tanto pelo Ministério Público quanto pela autoridade policial, a depender das circunstâncias do processo — ponto ressaltado na reportagem com base em análise jurídica ouvida pelo portal.
A defesa de Daniel Vorcaro, por sua vez, afirmou ao Metrópoles que não dispõe de informação sobre intenção do empresário de fechar acordo de delação. Ou seja, até o momento, não há confirmação oficial de negociação em curso.
O caso ganhou novos desdobramentos também por causa do vazamento de mensagens atribuídas a dados obtidos dos celulares do investigado. Em resposta a esse episódio, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de investigação para apurar o vazamento das informações extraídas do aparelho de Vorcaro.
Após a nova prisão, Daniel Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima do sistema penitenciário federal.
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