Política / Eleições 2026
Direção do PP rejeita aliança para lançar Tereza Cristina como vice de Flávio
Maioria da cúpula defende neutralidade na disputa presidencial e reduz possibilidade de acordo entre Progressistas e PL
30/07/2026
19:00
MTP
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Integrantes da cúpula nacional do Progressistas (PP) rejeitam a possibilidade de o partido apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência para lançar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice.
Nos bastidores, dirigentes afirmam que a decisão de manter neutralidade na disputa presidencial já está tomada. A posição dificulta o avanço das conversas entre Tereza e Flávio e reduz as chances de uma aliança entre o PP e o Partido Liberal.
A direção do Progressistas reuniu-se na quarta-feira, 29 de julho, para discutir a participação da legenda nas eleições nacionais. Dos oito integrantes presentes, seis votaram pela neutralidade, segundo informações divulgadas pelo Metrópoles.
Parte dos dirigentes também teria demonstrado surpresa com a reunião realizada entre Tereza e Flávio, uma vez que as negociações ocorreram depois de a maioria da cúpula sinalizar que não apoiaria formalmente nenhum candidato à Presidência.
A neutralidade permitiria que os diretórios estaduais do PP firmassem alianças diferentes, de acordo com os interesses eleitorais de cada região.
Dirigentes avaliam que um apoio nacional a Flávio Bolsonaro poderia prejudicar composições estaduais e criar dificuldades para candidatos que mantêm diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as preocupações está a tentativa de reeleição do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, no Piauí. A cúpula considera importante evitar um confronto direto com o governo federal que possa afetar a disputa no estado.
O Progressistas integra a Federação União Progressista ao lado do União Brasil. Por isso, uma eventual aliança presidencial também dependeria de entendimento entre as duas legendas.
Outro obstáculo citado por integrantes do PP é uma regra interna, anterior à criação da federação, que estabeleceria prazo mínimo de oito dias para convocar uma convenção partidária.
Como o período legal para as convenções termina na quarta-feira, 5 de agosto, dirigentes afirmam que não haveria tempo para convocar um novo encontro e aprovar a entrada de Tereza Cristina na chapa.
Aliados de Flávio Bolsonaro contestam esse entendimento. Segundo eles, o prazo de oito dias está previsto em norma interna do partido, e não diretamente na legislação eleitoral, o que permitiria buscar uma solução política.
De acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), partidos e federações podem realizar convenções para escolher candidatos e definir coligações entre 20 de julho e 5 de agosto. Os registros das candidaturas deverão ser apresentados até 15 de agosto.
A senadora confirmou que esteve com Flávio Bolsonaro na quarta-feira e que os dois conversaram, pela primeira vez, sobre a possibilidade de ela ocupar a vaga de vice.
Em nota, porém, Tereza ressaltou que nenhuma decisão havia sido tomada.
“No encontro, produtivo, falou-se, pela primeira vez, sobre a Vice-Presidência, mas nada foi decidido, até porque qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”, informou.
Até então, a ex-ministra da Agricultura vinha afirmando que seu projeto político era permanecer no Senado e disputar a presidência da Casa em 2027.
A abertura do diálogo com Flávio representa uma mudança de postura da senadora, mas não garante sua participação na chapa. Uma eventual candidatura dependerá da aprovação dos partidos e, sobretudo, de uma mudança na posição atualmente majoritária dentro da Federação União Progressista.
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