Política / Eleições 2026
Convenção do Missão lança Renan Santos à Presidência e apresenta propostas para o país
Partido estreante nas eleições reuniu apoiadores em São Paulo, lançou o Livro Amarelo e oficializou candidaturas a nove governos estaduais.
01/08/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Partido Missão apresentou publicamente neste sábado, 1º de agosto, em São Paulo, a candidatura do empresário Renan Santos à Presidência da República. O evento foi marcado por críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e por propostas de endurecimento das políticas de segurança pública.
A candidatura havia sido oficializada pela legenda em 20 de julho, durante uma convenção realizada de forma virtual. O encontro deste sábado serviu para apresentar Renan aos apoiadores, divulgar candidaturas estaduais e lançar o chamado Livro Amarelo, publicação que reúne o programa político do partido.
Registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 4 de novembro de 2025, o Missão tem o número 14 e é presidido nacionalmente por Renan. A legenda foi criada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL).
Durante o discurso, Renan Santos afirmou que sua candidatura não pretende ocupar o espaço tradicionalmente classificado como terceira via. Segundo ele, o partido busca construir um caminho próprio, sem se definir apenas pela oposição ao PT ou ao bolsonarismo.
“Nós não somos nada de terceira via. Nós construímos o próprio caminho com as próprias ideias, com as próprias cores, com o próprio sonho, com a própria imaginação”, declarou.
Renan também rejeitou o rótulo de antipetista e disse que uma força política não consegue superar seus adversários quando depende deles para definir sua própria identidade.
“Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera”, afirmou.
O candidato concentrou parte significativa das críticas em Flávio Bolsonaro, a quem chamou de “farsante” e “corrompido”. Renan sustentou que o senador não teria condições de vencer Lula em um eventual segundo turno e estaria sendo preparado para uma candidatura derrotada.
“São semanas para que a gente tire Flávio do segundo turno e para que o Lula vire seus canhões contra nós”, disse.
Ao falar sobre o cenário eleitoral, Renan afirmou que sua candidatura estaria em crescimento e teria mais energia política que os demais concorrentes. O evento também foi marcado por vaias a Lula e pelo desafio para que o petista e Flávio participem de debates com o candidato do Missão.
A fala de maior repercussão ocorreu quando Renan apresentou propostas voltadas ao combate aos crimes patrimoniais e ao crime organizado.
“Ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”, declarou.
O posicionamento foi apresentado em meio a um discurso centrado na ampliação da autoridade do Estado e na redução da violência. A fala radical também foi destacada na cobertura nacional do lançamento da candidatura.
Entre as metas anunciadas estão a redução do número anual de homicídios para, no máximo, 10 mil, a retirada de 8 milhões de pessoas de favelas, a transformação de 6 mil comunidades em bairros regularizados e a alfabetização de nove em cada dez crianças.
Na economia, o presidenciável prometeu reduzir os juros para menos de 6% e alcançar superávit nominal, situação em que a arrecadação supera as despesas públicas mesmo após a contabilização dos juros da dívida.
Renan também defendeu a retomada do programa espacial brasileiro, o desenvolvimento de aviões de guerra e a construção de armas nucleares.
“Eu quero colocar o Brasil no Conselho de Segurança da ONU não porque pediu por favor, mas porque o mundo depende da gente”, afirmou.
O evento apresentou ainda o Livro Amarelo, definido pelo partido como seu projeto de governo. A publicação possui 14 capítulos, distribuídos em três volumes, com propostas para segurança, economia, educação, saúde, defesa e meio ambiente.
Segundo o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), o material deverá orientar as candidaturas da legenda em diferentes níveis. O partido também anunciou a criação do Instituto Livro Amarelo, responsável pela formulação e disseminação das propostas.
Entre as medidas apresentadas está um ajuste fiscal estimado em R$ 3,3 trilhões, além de projetos para reduzir a fila do Sistema Único de Saúde (SUS), reformar a educação e ampliar a influência internacional do Brasil.
A versão básica da publicação foi anunciada por R$ 140. O próprio partido descreve o livro como seu plano para a reconstrução e o desenvolvimento do país.
O candidato a vice-presidente será Aroldo Medina, militar da reserva. Em seu discurso, ele afirmou que pretende participar pessoalmente de uma operação de segurança no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, caso a chapa seja eleita.
O Missão também apresentou candidatos a nove governos estaduais:
André Luís, no Maranhão;
Ben Mendes, em Minas Gerais;
Breno Barcelos, no Espírito Santo;
Coronel Busnello, no Rio de Janeiro;
Huggo Leonardo, no Ceará;
Luiz França, no Paraná;
Marcelo Brigadeiro, em Santa Catarina;
Rafaell Milas, em Mato Grosso;
Renan Hallais, em Pernambuco.
Os ingressos para o evento custaram entre R$ 174 e mais de R$ 7 mil. Segundo dirigentes da sigla, parte dos recursos deverá ajudar no financiamento das campanhas eleitorais. A convenção pública ocorreu depois da oficialização virtual da candidatura.
Aos 42 anos, Renan Santos é empresário, ativista político, presidente nacional do Missão e um dos fundadores do MBL. Ele participou das mobilizações favoráveis ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016.
Natural de São Paulo, Renan cursou Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação. A disputa de 2026 será sua primeira eleição presidencial e também a estreia do Missão em uma campanha nacional.
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