Política / Justiça
Sigilo fiscal da esposa de Alexandre de Moraes e de filho de ministro do STF é acessado sem autorização
Investigação aponta servidor do Serpro cedido à Receita Federal; apuração foi determinada pelo próprio ministro no âmbito do inquérito das fake news
16/02/2026
21:15
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O sigilo fiscal da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foi acessado sem autorização, segundo informações apuradas junto a fontes ligadas à investigação.
Além dela, o filho de outro ministro do STF também teve dados fiscais consultados indevidamente. A suspeita recai sobre um servidor do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), empresa pública de tecnologia vinculada ao governo federal, que estaria cedido à Receita Federal.
A apuração sobre os acessos irregulares foi determinada pelo próprio Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito das fake news, que investiga ataques coordenados contra integrantes da Corte.
O ministro ordenou que a Receita Federal realizasse rastreamento completo de qualquer consulta ou tentativa de acesso envolvendo:
Os dez ministros atualmente em exercício no STF
Suas esposas e maridos
Filhos
Irmãos
Todos os ascendentes
O relatório detalhado deverá ser apresentado após o Carnaval.
Os acessos já identificados serão apurados em duas esferas:
Administrativa, para apurar eventual infração funcional
Criminal, conduzida pela Polícia Federal, que investigará se houve encomenda das quebras de sigilo com possível objetivo de comercialização ou vazamento a terceiros
A investigação busca esclarecer se as consultas indevidas foram realizadas para obtenção e eventual venda de informações fiscais sensíveis.
A apuração também está relacionada à tentativa de identificar a origem de vazamentos à imprensa envolvendo informações que relacionam Alexandre de Moraes ao Banco Master, instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.
Viviane Barci de Moraes foi contratada pelo banco por R$ 129 milhões, valor que gerou questionamentos públicos. O contrato chamou atenção pelo montante expressivo e pelo fato de o escritório não ter atuação reconhecida em causas diretamente vinculadas à instituição.
A Folha de S.Paulo revelou que Moraes havia solicitado a investigação dentro do inquérito das fake news, mas sem detalhar, inicialmente, os nomes dos atingidos pelas quebras indevidas.
A expectativa é que, com o relatório da Receita Federal, sejam formalmente identificados:
Quem realizou os acessos
Quando ocorreram
Se houve compartilhamento externo das informações
O caso amplia a tensão em torno da segurança de dados fiscais de autoridades e reacende o debate sobre controle de acesso a sistemas sensíveis do Estado.
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