Economia / Regulação
Galípolo cita Caso Master e defende autonomia orçamentária do Banco Central para ampliar fiscalização
Presidente do BC afirma que aumento de instituições supervisionadas exige mais recursos e detalha cronologia que levou à liquidação extrajudicial em novembro de 2025
09/02/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que a autonomia financeira e orçamentária da instituição é condição estratégica para fortalecer a capacidade de supervisão do sistema financeiro. A declaração foi feita durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo, ao comentar os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master.
Segundo Galípolo, o número de instituições sob monitoramento aumentou nos últimos anos, enquanto o BC enfrentou redução de pessoal e restrições de orçamento.
“Temos mais instituições sob supervisão, ao mesmo tempo em que houve redução significativa de pessoas e recursos. É preciso dar um salto de atualização em termos de autonomia financeira e orçamentária”, afirmou.
Ele mencionou ainda que o Banco Central discute o uso de inteligência artificial para migrar do modelo de fiscalização por amostragem para uma supervisão mais abrangente e detalhada, embora ressalte limitações relacionadas ao sigilo das informações.
Durante a exposição, Gabriel Galípolo detalhou a sequência de decisões adotadas pela autoridade monetária até a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, quando também foi instaurado o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).
O presidente do BC destacou que críticas relacionadas à captação de CDBs com taxa superior ao CDI não configuravam, por si só, irregularidade normativa.
“Não há regra que proíba captação em percentual acima do CDI. Isso, isoladamente, não justificaria liquidação”, pontuou.
De acordo com Galípolo, no final de 2024, o Banco Central identificou dificuldades de credibilidade e restrições de liquidez na instituição financeira. Em novembro de 2024, a Diretoria de Fiscalização concedeu um prazo de seis meses para correções relacionadas à liquidez, governança e patrimônio.
O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, que assumiu o cargo em 2023, passou a questionar operações envolvendo formação de novas carteiras em um contexto de fragilidade financeira. Em fevereiro de 2025, foi criado grupo técnico específico para análise dessas operações.
Segundo o presidente do BC, estudos apresentados em março de 2025 indicaram ausência de evidências que comprovassem determinadas carteiras negociadas pela instituição, o que levou à formalização de notícia de fatos e comunicação ao Ministério Público.
No mesmo período, surgiu a possibilidade de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A análise, segundo Galípolo, foi prejudicada por envio incompleto de documentação.
Ele atribuiu destaque à atuação do diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato de Brito Gomes, na condução das tratativas. Paralelamente, houve coordenação com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“O FGC passou a cumprir sua função institucional, garantindo os CDBs que seriam pagos em eventual liquidação”, explicou.
De acordo com o presidente do BC, o trabalho conjunto possibilitou a rejeição da proposta de aquisição e consolidou a decisão pela liquidação extrajudicial.
Ao detalhar o processo, Gabriel Galípolo buscou afastar qualquer responsabilização por omissão ou atraso por parte da diretoria do Banco Central. Para ele, o caso evidencia a necessidade de modernização estrutural da autoridade monetária, especialmente em termos de orçamento próprio.
O tema da autonomia financeira do BC, já debatido em outras ocasiões, volta ao centro das discussões regulatórias como instrumento para ampliar a capacidade técnica e operacional da instituição diante da complexidade crescente do sistema financeiro brasileiro.
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