Campo Grande (MS), Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026

Saúde / Prevenção

Frio pode elevar a pressão arterial e aumentar riscos ao coração

Contração dos vasos durante os dias frios exige mais esforço do coração e demanda atenção especial de hipertensos, idosos e pacientes cardiovasculares.

03/08/2026

07:15

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A queda das temperaturas pode provocar aumento temporário da pressão arterial e ampliar o risco de complicações cardiovasculares. O efeito merece atenção principalmente entre idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas com histórico de doenças do coração, infarto ou acidente vascular cerebral.

A médica Rosangeles Konrad, professora de pós-graduação em Cardiologia da Afya Brasília, explica que o organismo reage ao frio tentando preservar sua temperatura interna. Um dos mecanismos utilizados é a vasoconstrição, caracterizada pelo estreitamento dos vasos sanguíneos.

Com os vasos mais contraídos, o sangue encontra maior resistência para circular. O coração precisa trabalhar com mais intensidade, e a pressão arterial pode subir. O Ministério da Saúde também aponta a vasoconstrição e a elevação da pressão como efeitos cardiovasculares associados às baixas temperaturas. 

“A queda da temperatura da pele é percebida por termorreceptores, que estimulam o sistema nervoso simpático e provocam a contração dos vasos sanguíneos. Essa vasoconstrição reduz a perda de calor, mas aumenta a resistência à passagem do sangue, fazendo com que o coração trabalhe mais para manter a circulação”, explica a cardiologista.

Segundo a especialista, dependendo das condições individuais e da intensidade do frio, a pressão sistólica pode apresentar elevação entre 5 e 30 mmHg, enquanto a diastólica pode subir entre 5 e 15 mmHg. Essa resposta varia de uma pessoa para outra e não deve ser usada isoladamente para modificar medicamentos ou tratamentos.

Hábitos do inverno também influenciam

O efeito não está ligado apenas à resposta fisiológica ao frio. Durante o inverno, muitas pessoas reduzem a prática de atividades físicas, ingerem menos água e aumentam o consumo de alimentos gordurosos ou ricos em sódio.

Essa combinação pode dificultar o controle da pressão e sobrecarregar o sistema cardiovascular. O consumo excessivo de sódio está diretamente relacionado à hipertensão e ao aumento dos riscos de infarto, AVC e insuficiência cardíaca.

A menor percepção de sede nos dias frios também favorece a desidratação. Por isso, a ingestão de água deve ser mantida mesmo quando a pessoa não sente tanta vontade de beber líquidos.

Frio pode funcionar como gatilho

As baixas temperaturas não causam, sozinhas, um infarto ou um AVC. Entretanto, podem funcionar como um fator desencadeante em pessoas que já apresentam maior vulnerabilidade cardiovascular.

“O aumento da pressão arterial e da carga de trabalho do coração pode desestabilizar placas de gordura nas artérias, elevar o estresse sobre os vasos e aumentar a demanda de oxigênio pelo músculo cardíaco, favorecendo a ocorrência desses eventos”, afirma Rosangeles Konrad.

O frio também pode aumentar a viscosidade do sangue e favorecer a formação de coágulos. Estudos analisados pela American Heart Association relacionam períodos de frio intenso ao crescimento das hospitalizações por infarto e ao maior risco de mortes provocadas por AVC e insuficiência cardíaca. 

Quem precisa redobrar os cuidados

Embora qualquer pessoa possa registrar alterações na pressão durante os dias frios, alguns grupos são mais vulneráveis:

  • Pessoas com hipertensão arterial;

  • Idosos;

  • Pacientes com histórico de infarto, AVC ou insuficiência cardíaca;

  • Pessoas com diabetes ou obesidade;

  • Pacientes com doença renal crônica;

  • Pessoas com aterosclerose ou outros fatores de risco cardiovascular.

Para esses grupos, o acompanhamento deve ser mais rigoroso durante períodos de queda acentuada da temperatura. A pressão precisa ser medida corretamente e com a frequência recomendada pelo profissional responsável pelo tratamento.

Como proteger a saúde cardiovascular

Algumas medidas ajudam a reduzir os efeitos do frio sobre a pressão arterial. Entre elas estão manter o corpo aquecido, evitar exposição prolongada a temperaturas muito baixas e continuar praticando atividades físicas em locais protegidos.

Também é importante manter a hidratação, reduzir o consumo de sal, priorizar alimentos naturais e tomar os medicamentos nos horários prescritos. Nenhum remédio deve ser suspenso, acrescentado ou ter a dose alterada sem orientação médica.

A especialista recomenda reforçar o automonitoramento, especialmente entre pacientes que já fazem tratamento para hipertensão. Para que o resultado seja confiável, a pessoa deve permanecer sentada e em repouso por alguns minutos, manter o braço apoiado e utilizar um aparelho validado, com manguito adequado à circunferência do braço.

“Como a hipertensão, na maioria das vezes, não causa sintomas, o ideal é reforçar o automonitoramento da pressão arterial e manter o acompanhamento médico regular durante os meses mais frios”, orienta Rosangeles Konrad.

Quando procurar atendimento médico

A hipertensão costuma evoluir silenciosamente, mas alguns sinais podem indicar uma elevação importante da pressão ou uma emergência cardiovascular:

  • Dor ou pressão intensa no peito;

  • Falta de ar;

  • Dor de cabeça súbita e muito forte;

  • Alterações na visão;

  • Tontura persistente;

  • Confusão mental;

  • Dificuldade para falar;

  • Perda de força ou dormência em um lado do corpo.

Na presença desses sintomas, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. Dor no peito, dificuldade para respirar e alterações neurológicas não devem ser tratadas apenas como efeitos do frio.

O Ministério da Saúde reforça que a pressão alta é um dos principais fatores de risco para AVC, infarto, aneurisma e insuficiência renal ou cardíaca. A medição regular é essencial porque os sintomas normalmente aparecem apenas quando a pressão está muito elevada. 

Manter o tratamento, acompanhar a pressão, cuidar da alimentação e não abandonar a atividade física são medidas importantes durante todo o ano. Nos períodos frios, esses cuidados ganham ainda mais relevância para quem já apresenta fatores de risco.

Rosangeles Konrad é médica e professora de pós-graduação em Cardiologia da Afya Brasília. Mais informações sobre a instituição estão disponíveis em www.afya.com.br.


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