Artigo / Opinião
Se eu fosse presidente
02/08/2026
10:30
WILSON AQUINO*
WILSON AQUINO*
Assim como na Copa, todo brasileiro se sente um técnico, por que não, nesse período eleitoral, em que escolheremos nossos governantes e principalmente o presidente da República, nos imaginarmos ocupando essa cadeira para a tomada das decisões que tanto desejamos?
Então, se eu fosse presidente, meu primeiro ato seria reunir os três poderes da nação para uma discussão aberta ao público sobre a necessidade de drástica redução do custo da máquina pública, procurando acabar de vez com as mordomias e regalias com o dinheiro público no Executivo, Legislativo e Judiciário.
Trataria também da redução de ministérios e, o mais importante: redução do número de parlamentares nas três esferas do poder — municipal, estadual e federal. Temos inúmeros exemplos de países de primeiro mundo onde parlamentares e juízes recebem o básico e não vivem como reis e rainhas como no Brasil.
Na Educação, determinaria que todo ensino básico e fundamental passasse, obrigatoriamente, para período integral, além de medidas que valorizassem melhor os professores, que passariam apenas conhecimento aos alunos e nunca, em hipótese alguma, suas ideologias políticas e de gênero.
Também facilitaria o acesso às universidades e cobraria um maior desempenho delas para uma melhor formação dos futuros profissionais. Mais que isso: implantaria um currículo nacional com ênfase em educação financeira, empreendedorismo e cidadania desde o ensino fundamental.
De nada adianta formar alunos que sabem decorar fórmulas, mas não sabem administrar o próprio dinheiro nem entendem seus direitos e deveres como cidadãos.
Na Segurança Pública, reuniria todos os organismos federais para investigar, impedir e punir atos de corrupção nas atividades públicas e privadas e acabaria, nas primeiras semanas, com o domínio das organizações criminosas onde quer que seja.
É inadmissível o que assistimos no dia a dia no Rio de Janeiro, em cidades do Nordeste brasileiro: o domínio das facções sobre as comunidades e o avanço delas por quase todo o país. E, como se trata de uma verdadeira guerra contra o crime, colocaria, sim, as Forças Armadas nessa operação emergencial para aniquilar, da noite para o dia, esse domínio cancerígeno.
Mas atacaria também a raiz do problema: criaria um programa nacional de inteligência e integração entre as polícias — Civil, Militar, Federal e Rodoviária —, com compartilhamento obrigatório de dados em tempo real. Hoje, cada corporação age como um feudo, e o crime organizado se aproveita dessa falta de comunicação.
Na Economia, reduziria a pesada carga tributária dos ombros das pessoas físicas e jurídicas, para que pudessem investir mais no bem-estar familiar e na geração de emprego e renda.
É inconcebível saber que o brasileiro trabalha em média cinco meses somente para pagar impostos, incidentes sobre pão, carne, leite — em absolutamente tudo o que consumimos e usamos.
Mas não basta cortar impostos: faria uma reforma administrativa profunda, com a instituição do voto distrital puro, que aproxima o eleitor do eleito e reduz os custos das campanhas, e aprovaria o fim da reeleição para todos os cargos do Executivo. Chega de governantes que passam metade do mandato pensando na reeleição em vez de governar.
Na Saúde, determinaria que pelo menos 15% do Orçamento da União fosse aplicado exclusivamente na saúde pública, com gestão profissionalizada dos hospitais e unidades de saúde — não mais indicações políticas para cargos técnicos.
Implantaria também a integração total dos prontuários médicos via sistema digital único, para que um paciente atendido em qualquer lugar do país tenha seu histórico disponível imediatamente.
Na Infraestrutura e Geração de Empregos, lançaria um grande programa de concessões e parcerias público-privadas para ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, barateando o custo do transporte e tornando o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional.
E, junto disso, um programa emergencial de qualificação profissional nos moldes do que países como Alemanha e Coreia do Sul fizeram: ensino técnico integrado ao médio, com vagas garantidas nas empresas parceiras.
Por fim, combateria o desperdício com uma lei de responsabilidade fiscal dos gastos públicos, que punisse criminalmente o gestor que estourar o orçamento. Não é possível que o cidadão comum seja multado se atrasa um boleto, mas governantes estourem o orçamento em ano eleitoral e fiquem impunes.
Se eu fosse presidente, não governaria para partidos, para grupos ou para interesses pessoais. Governaria para o povo brasileiro — com honestidade, coragem e a certeza de que este país pode ser muito maior do que a mediocridade da maioria dos políticos que o têm comandado.
Jornalista, professor, publicitário e escritor, autor do livro “Reflexões e Memória”.
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