Economia / Trabalho
Salário digno em Campo Grande chega a R$ 4.015 e supera Pantanal em 42,9%
Estudo calcula quanto um trabalhador precisa receber para manter uma famÃlia com padrão de vida básico; valores têm como referência junho de 2025
03/08/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Um trabalhador de Campo Grande precisaria receber R$ 4.015 por mês para ajudar a garantir condições básicas e dignas a uma família de quatro pessoas. O valor é 42,9% maior que os R$ 2.808 estimados para a região do Pantanal.
Os números fazem parte de um relatório elaborado pelo Anker Research Institute (ARI) em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). As estimativas têm como referência junho de 2025 e foram calculadas a partir da Metodologia Anker, usando pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outras bases nacionais.
Nas regiões Centro-Norte, Leste e Sudoeste de Mato Grosso do Sul, reunidas em uma única macrorregião pelo estudo, o salário digno foi calculado em R$ 3.162. O valor da Capital é 26,9% superior ao estimado para esse conjunto de localidades.
| Região | Salário digno | Renda familiar digna |
|---|---|---|
| Campo Grande | R$ 4.015 | R$ 6.181 |
| Centro-Norte, Leste e Sudoeste | R$ 3.162 | R$ 4.937 |
| Pantanal | R$ 2.808 | R$ 4.435 |
O relatório trabalha com dois indicadores. A renda digna representa o valor mensal necessário para que uma família de quatro pessoas mantenha um padrão de vida básico e adequado. Já o salário digno estima quanto cada trabalhador em tempo integral precisa receber para ajudar a alcançar essa renda.
Em Campo Grande, o custo familiar foi calculado em R$ 6.181 mensais. Nas regiões Centro-Norte, Leste e Sudoeste, a estimativa ficou em R$ 4.937. Para o Pantanal, o estudo aponta R$ 4.435.
O cálculo inclui alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, cultura e outras despesas consideradas essenciais. Também é acrescentada uma reserva de 5% para emergências.
Para chegar ao salário bruto, os pesquisadores consideraram o número médio de trabalhadores em tempo integral por residência e os descontos obrigatórios. A estimativa adotada foi de 1,75 trabalhador por família em Campo Grande e 1,72 nas outras duas regiões.
Segundo o diretor da Iniciativa ARI-Cebrap, Ian Prates, as diferenças mostram que uma única referência nacional não consegue representar o custo de vida em todos os territórios.
“Quando o cálculo considera o território, fica claro que o custo do básico não é igual em todas as regiões. Em Mato Grosso do Sul, a distância entre Campo Grande e o Pantanal é muito significativa”, afirmou.
A macrorregião formada pelo Centro-Norte, Leste e Sudoeste concentra 58,6% da população estadual. Campo Grande representa 32,9%, enquanto a região pantaneira reúne os outros 8,5%.
Prates ressaltou que o indicador não tem força legal e não substitui o salário mínimo, negociações coletivas ou políticas públicas.
“A estimativa indica quanto um trabalhador precisa receber, em determinado lugar, para que sua família alcance um padrão de vida básico e decente. É uma medida que pode orientar governos, empresas, sindicatos e organizações sociais”, explicou.
O relatório recebeu apoio financeiro da Suzano e integra a iniciativa Salário Digno Brasil. O documento completo pode ser consultado no site do Anker Research Institute.
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