Política / Justiça
Investigação sobre Valdemar Costa Neto preocupa aliados de Bolsonaro e pode atrapalhar articulações para 2026
Reabertura de inquérito pelo STF reacende tensão no PL e fragiliza ponte política entre o ex-presidente e seu principal articulador partidário
26/10/2025
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retomar as investigações contra Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL (Partido Liberal), provocou apreensão entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A avaliação interna é que o novo capítulo judicial pode complicar as articulações eleitorais do partido para 2026 e enfraquecer a comunicação direta entre Bolsonaro e sua principal liderança partidária.
A Primeira Turma do STF determinou a reabertura do inquérito por sugestão do ministro Alexandre de Moraes, que apontou a necessidade de aprofundar apurações sobre a suposta participação de Valdemar em trama golpista.
Fontes próximas ao núcleo bolsonarista afirmaram, sob reserva, que a medida é vista como uma “tentativa de enquadramento” de Valdemar, num momento em que o dirigente concentra o comando estratégico do partido e a definição de alianças para as próximas eleições.
“É uma decisão que causa estranhamento e traz instabilidade política em plena fase de articulação. O Valdemar é o principal elo de Bolsonaro com a máquina partidária”, avaliou um dirigente do PL.
Na prática, a retomada do inquérito dificulta o contato entre Bolsonaro e Valdemar, já que o ex-presidente está proibido de se reunir com réus e investigados da mesma ação — restrição reforçada pelo próprio ministro Moraes.
Na última quarta-feira (22), Moraes negou pedido para que Valdemar visitasse Bolsonaro, argumentando que ambos estão vinculados à mesma investigação. Essa proibição já havia ocorrido no passado, quando o dirigente do PL também figurava como investigado.
Durante esse período, a falta de diálogo direto entre os dois teria gerado ruídos dentro do partido e dificultado decisões estratégicas, especialmente nas eleições municipais de 2024, quando Bolsonaro chegou a divergir publicamente da direção nacional em algumas capitais, como Curitiba.
Valdemar Costa Neto chegou a ser indiciado pela Polícia Federal no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado, mas acabou não incluído na denúncia formal da PGR (Procuradoria-Geral da República). Agora, com a retomada da investigação, volta a ter condição de investigado ativo.
Para aliados de Bolsonaro, o caso reabre feridas antigas e pode travar as conversas internas sobre alianças e composição de chapas estaduais e federais para 2026 — uma disputa que o PL quer liderar como principal força da direita.
Nos bastidores, integrantes da cúpula partidária admitem preocupação com o “efeito paralisante” da investigação, mas evitam manifestações públicas mais duras para não tensionar o STF. O discurso oficial do PL é de “confiança na Justiça” e manutenção da unidade interna.
A reabertura do inquérito, contudo, acende um alerta entre os articuladores: com Valdemar sob investigação e Bolsonaro impedido de contato direto, a engrenagem política do PL perde sua principal conexão — o elo entre o ex-presidente e a estrutura partidária nacional.
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