Política / Congresso
Alcolumbre deve deixar CPI do Master fora da pauta e priorizar veto da dosimetria no Congresso
Presidente do Congresso articula votação sobre penas de condenados pelo 8 de Janeiro e evita avanço de pedido para investigar o Banco Master
30/04/2026
09:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve deixar fora da sessão desta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a leitura do requerimento que pede a criação da CPI do Banco Master. Sem a leitura em plenário, a comissão não avança formalmente e permanece parada na estrutura do Congresso.
A movimentação ocorre em meio a um acordo político para priorizar a análise do veto ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que reduz penas aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A sessão conjunta do Congresso foi marcada para tratar de vetos presidenciais, e a tendência entre parlamentares é que o veto seja derrubado.
Para a CPI do Master sair do papel, o requerimento precisa ser lido durante sessão do Congresso. O pedido foi protocolado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) em 3 de fevereiro e reuniu apoio de 281 parlamentares, número suficiente para pressionar pela instalação de uma comissão mista formada por deputados e senadores.
A apuração pretendida miraria as operações do Banco Master, comandado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e suas relações com autoridades e integrantes do meio político. Também há interesse de parlamentares em investigar possíveis conexões entre o banco e agentes públicos, além de movimentações envolvendo o BRB (Banco de Brasília).
Nos bastidores, a avaliação é que a cúpula do Congresso tenta evitar que o caso ganhe ainda mais repercussão política. O Banco Master passou a ser tratado como um tema sensível por envolver relações de Vorcaro com lideranças partidárias, deputados, senadores e autoridades. A leitura predominante é que uma CPI poderia ampliar o desgaste da classe política em um ano já marcado por forte tensão institucional.
Segundo informações publicadas pela imprensa nacional, Alcolumbre teria costurado um entendimento com setores da oposição para não haver contestação à decisão de não ler o requerimento da CPI. Em contrapartida, colocou na pauta o veto ao projeto da dosimetria, uma das prioridades de parlamentares bolsonaristas no Congresso.
O tema da dosimetria ganhou peso porque pode alterar o alcance das penas impostas a condenados pelos atos de 8 de Janeiro. A oposição vê a derrubada do veto como uma forma de reduzir efeitos penais sobre Bolsonaro e aliados. Já críticos da proposta afirmam que a mudança pode ter impacto mais amplo, alcançando outros condenados além dos envolvidos na tentativa de ruptura institucional.
A postura do governo Lula em relação à CPI do Master também é de baixa mobilização. Integrantes da base avaliam que a instalação da comissão manteria o tema da corrupção no centro do debate público e poderia ofuscar pautas consideradas prioritárias pelo Planalto, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a discussão sobre redução da jornada de trabalho.
Além do pedido de Carlos Jordy, há outros requerimentos relacionados ao caso. Na Câmara dos Deputados, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) apresentou solicitação para investigar desvios envolvendo o Master e o BRB, mas o pedido enfrenta a fila de outras CPIs protocoladas anteriormente.
No Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) também apresentou pedido de CPI sobre o Banco Master ainda no ano passado. O requerimento, porém, não foi lido por Alcolumbre. O parlamentar recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), e o caso está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, ainda sem decisão.
Sem uma comissão específica sobre o Banco Master, parlamentares da base e da oposição tentaram acessar informações relacionadas ao caso por meio de outras CPIs em funcionamento, como as que investigavam desvios no INSS e o crime organizado. Essas comissões, no entanto, foram encerradas sem prorrogação de prazo e sem votação de relatório final.
A decisão de não dar andamento à CPI do Master mantém o tema em aberto, mas reduz, ao menos por enquanto, a possibilidade de uma investigação parlamentar exclusiva sobre o banco. Ao mesmo tempo, reforça a centralidade de Alcolumbre na definição da pauta do Congresso e mostra como a negociação sobre a dosimetria se tornou peça-chave na disputa entre governo, oposição e lideranças legislativas.
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