Campo Grande (MS), Sexta-feira, 01 de Maio de 2026

Trabalho / Mulheres

Fim da escala 6x1 pode ampliar presença feminina no mercado, afirma ministra

Márcia Lopes defende redução da jornada como medida para aliviar sobrecarga das mulheres e melhorar condições de trabalho

01/05/2026

11:00

DA REDAÇÃO

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes ©Lula Marques

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defendeu o fim da escala 6x1 como uma mudança necessária para o atual momento do país. Segundo ela, a redução da jornada de trabalho pode ampliar o acesso das mulheres ao mercado formal, melhorar a qualidade de vida e reduzir desigualdades históricas ligadas à dupla e à tripla jornada feminina.

A declaração foi feita em entrevista à Agência Brasil, após participação da ministra em evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, no Rio de Janeiro. Para Márcia Lopes, a escala atual, com apenas um dia de descanso semanal, afeta de forma mais intensa as mulheres, especialmente aquelas que acumulam trabalho remunerado, tarefas domésticas, cuidado com filhos e responsabilidades familiares.

Elas vão cuidar melhor da saúde, das relações familiares, territoriais. Eu não tenho dúvida que é uma exigência do nosso tempo o fim da escala 6x1”, afirmou a ministra.

Tema ganha força nas manifestações do Dia do Trabalhador

O fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras das manifestações de trabalhadores neste 1º de Maio, feriado do Dia do Trabalhador. A pauta ganhou força nacional em meio ao debate sobre a redução da jornada semanal e melhores condições de descanso.

A discussão ocorre enquanto o Congresso Nacional analisa o Projeto de Lei 1.838/2026, enviado pelo governo federal. A proposta reduz o limite máximo da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado por semana e não prevê redução salarial.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu regime de urgência para a tramitação do projeto. Até a tarde de quinta-feira, 30 de abril, o texto ainda aguardava despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para avançar na Casa.

Além do projeto de lei, duas propostas de emenda à Constituição também tratam do tema: a PEC 221/2019 e a PEC 8/2025. Uma comissão especial foi instalada na Câmara dos Deputados na quarta-feira, 29 de abril, para analisar as matérias.

Ministra afirma que mulheres são as mais prejudicadas pela escala atual

Ao defender o fim da escala 6x1, Márcia Lopes afirmou que as mulheres são as principais prejudicadas pelo modelo vigente de jornada. Segundo ela, a sociedade brasileira ainda atribui às mulheres uma carga desproporcional de responsabilidades fora do ambiente de trabalho.

Não há dúvida disso”, disse a ministra ao comentar se as mulheres são mais afetadas pela escala atual.

Ela destacou que, historicamente, as mulheres acumulam trabalho remunerado com tarefas domésticas e atividades de cuidado, grande parte delas sem remuneração.

Às mulheres, historicamente, foi imputado a elas, dupla, tripla jornadas de trabalho. A elas sempre coube, além do trabalho remunerado, uma grande parte do seu tempo com trabalho não remunerado”, afirmou.

Segundo a ministra, mesmo após o expediente, muitas mulheres iniciam uma nova etapa de obrigações em casa, envolvendo estudos, cuidados com filhos, organização doméstica e apoio à família.

Quando elas terminam uma etapa do dia de trabalho, apesar do cansaço, elas dão início a outras etapas, seja estudando, cuidando das suas casas, dos filhos, dos afazeres”, completou.

Redução da jornada é vista como caminho para igualdade

Para Márcia Lopes, a redução da jornada semanal não deve ser vista apenas como uma mudança trabalhista, mas também como instrumento de combate à desigualdade de gênero.

A ministra avalia que o fim da escala 6x1, combinado com políticas de igualdade salarial, pode aumentar as chances de mulheres conquistarem melhores postos de trabalho, com mais tempo para qualificação, saúde e organização da vida pessoal.

Ao alcançar o fim da escala 6x1 e trabalhar pela igualdade salarial, as mulheres vão tendo muito mais chance de acessar o trabalho e de conquistar espaços e condições de trabalho melhores”, afirmou.

Ela citou especialmente as mulheres periféricas e negras, que, segundo a ministra, estão entre as mais impactadas pela sobrecarga de trabalho e pela desigualdade no mercado.

Mulheres ainda recebem 21,3% menos que homens

O debate sobre jornada ocorre em um contexto de persistente desigualdade salarial entre homens e mulheres. Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego na segunda-feira, 27 de abril, mostram que mulheres recebem, em média, 21,3% menos que homens no setor privado em empresas com 100 ou mais empregados.

Na prática, para cada R$ 1.000 recebidos por um homem, uma mulher recebe, em média, R$ 787.

A Lei nº 14.611, de julho de 2023, reforça a obrigatoriedade de igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função. A norma determina que empresas com 100 ou mais empregados adotem medidas para garantir maior transparência e corrigir desigualdades remuneratórias.

Governo vê impactos positivos para empresas e economia

A ministra também defende que o fim da escala 6x1 pode gerar reflexos positivos para as empresas e para a economia. Segundo ela, trabalhadores com mais tempo de descanso tendem a apresentar melhores condições de saúde, menor esgotamento e maior disposição.

Márcia Lopes citou a possibilidade de redução do absenteísmo, que inclui faltas, atrasos e saídas antecipadas, como um dos possíveis efeitos da mudança.

Traz muito mais dignidade, traz tempo livre que será utilizado para, inclusive, ir ao cinema, visitar museu, poder se alimentar melhor, organizar a sua comunidade, o seu território, de poder empreender”, afirmou.

Setores econômicos divergem sobre impacto da medida

A proposta de redução da jornada ainda divide opiniões entre governo, trabalhadores e setor produtivo. Entidades empresariais afirmam que a mudança pode elevar custos e afetar a competitividade.

A Confederação Nacional da Indústria, CNI, calcula que a redução da jornada poderia provocar perda de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto, o PIB, além de alta média de 6,2% nos preços.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, CNC, estima que a medida aumentaria os custos da folha salarial em 21% e poderia gerar pressão inflacionária, com repasse de preços ao consumidor de até 13%.

Já levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento, aponta que os custos de uma eventual redução da jornada para 40 horas semanais seriam semelhantes aos impactos observados em reajustes históricos do salário mínimo, indicando capacidade de absorção pelo mercado de trabalho.

Mulheres pressionam Congresso por aprovação

Além de comandar o Ministério das Mulheres, Márcia Lopes preside o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, fórum que reúne representantes da sociedade civil e do governo.

Segundo ela, grupos de mulheres já buscaram articulação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para pressionar pela aprovação do fim da escala 6x1.

As mulheres são fortes, são mobilizadas e já estão fazendo isso”, disse.

A ministra reconheceu que há resistência à proposta, mas afirmou acreditar na aprovação da mudança.

Claro que tem posicionamentos contrários, isso faz parte da democracia, mas eu tenho impressão que, muito em breve, vamos conquistar mais esse direito no Brasil”, concluiu.

BNDES anuncia R$ 80 milhões para iniciativas voltadas às mulheres

As declarações de Márcia Lopes foram dadas após evento no qual o BNDES anunciou R$ 80 milhões para iniciativas voltadas a mulheres empreendedoras e ao chamado “trabalho do cuidado” em periferias.

Entre os exemplos de projetos apoiados estão cozinhas comunitárias, lavanderias públicas e cuidadotecas, espaços voltados ao suporte de famílias e à redução da sobrecarga de cuidado.

Para a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a discussão sobre o fim da escala 6x1 está diretamente ligada ao direito das mulheres ao descanso e ao autocuidado.

A luta para que a gente mude essa situação da escala 6x1 é exatamente ter direito a se cuidar, ter direito ao fim de semana, ao autocuidado”, afirmou.

 

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