Política / Poder
Pacheco indica a aliados que não pretende disputar STF nem governo de Minas
Após derrota de Jorge Messias no Senado, ex-presidente da Casa sinaliza que quer atuar para reaproximar Lula e Davi Alcolumbre
01/05/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco tem sinalizado a aliados que não pretende entrar em duas disputas que vinham sendo associadas ao seu nome: uma eventual indicação ao Supremo Tribunal Federal e a candidatura ao governo de Minas Gerais.
O movimento ocorre após a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, episódio que surpreendeu até parlamentares da oposição pela quantidade de votos contrários no Senado. O resultado expôs uma crise política mais ampla, com impacto direto nas articulações envolvendo o governo federal, a cúpula do Senado e lideranças do Congresso.
A votação de Jorge Messias acabou afetando diferentes grupos políticos. Pacheco não foi indicado ao STF, como defendia o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e também não deve disputar o governo de Minas Gerais, como gostaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na véspera da sabatina e da análise do nome de Messias na Comissão de Constituição e Justiça, Pacheco almoçou com o indicado, posou para fotos e assinou uma nota de apoio à indicação.
Durante a sabatina na CCJ, Pacheco circulou pelo plenário, cumprimentou senadores e senadoras e, ao fim, fez uma saudação pública a Jorge Messias.
No plenário, enquanto Davi Alcolumbre conduzia rapidamente a votação de nove indicações até chegar à décima, justamente a de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, Pacheco manteve postura discreta.
O ambiente, segundo relatos, era de forte tensão política. Parlamentares, convidados e visitantes acompanhavam a sessão em clima eufórico, com celulares voltados para o painel e para o desfecho da votação.
Em alguns momentos, Pacheco parecia incomodado com o clima exaltado no plenário. Quando o painel foi aberto e confirmou uma das maiores derrotas políticas impostas a um presidente da República desde a redemocratização, ele foi um dos primeiros a deixar o local.
A partir desse episódio, Pacheco passou a deixar claro a interlocutores que não pretende mais alimentar expectativa em torno de uma vaga no STF.
Ele já teria feito chegar a Davi Alcolumbre o recado de que não deseja nova insistência em seu nome para o Supremo. A mensagem busca encerrar uma articulação que vinha sendo defendida por parte da cúpula do Senado, mas que perdeu força depois da derrota de Messias.
Além do Supremo, Pacheco também avalia como comunicar ao presidente Lula que não pretende disputar o governo de Minas Gerais.
O nome dele era visto por setores do governo como uma alternativa competitiva para a sucessão estadual, especialmente pela capacidade de diálogo com diferentes campos políticos e pela trajetória construída no Congresso.
Mesmo assim, o ex-presidente do Senado tem indicado que não deseja transformar esse capital político em candidatura ao Executivo mineiro.
A interlocutores, Rodrigo Pacheco tem dito que pretende encerrar sua atuação política com um gesto de conciliação. A ideia seria trabalhar para reaproximar Lula e Davi Alcolumbre, depois do desgaste provocado pela votação de Jorge Messias.
O gesto combina com o perfil conciliador que marcou a trajetória de Pacheco à frente do Senado. Em vez de disputar novos espaços de poder, ele avalia assumir o papel de articulador em um momento de tensão entre o Palácio do Planalto e a presidência da Casa.
Com isso, Pacheco tenta preservar pontes políticas e evitar que a derrota de Messias aprofunde ainda mais a crise entre governo e Senado.
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