Economia / Política
Haddad defende taxação de bancos, bets e bilionários: “Só é injusta para desinformados”
Ministro afirma que governo buscará alternativas após derrota da MP e diz que medida é essencial para o equilíbrio fiscal
14/10/2025
19:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (14) a chamada “taxação dos BBBs” — bancos, bets e bilionários, após a derrubada da Medida Provisória (MP) que aumentava impostos sobre esses setores. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro afirmou que a cobrança é justa e que o governo vai buscar alternativas junto ao Congresso.
“Já recebi de vários parlamentares acenos no sentido de corrigir o que aconteceu. Vamos buscar alternativas, porque, de fato, a chamada taxação dos BBBs só é injusta na cabeça de pessoas desinformadas sobre o que está acontecendo no Brasil”, declarou Haddad.
O ministro explicou que a equipe econômica vai retomar o diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para definir o novo pacote de medidas.
“Estamos aguardando a volta do presidente da República. Amanhã devemos começar a trabalhar o tema”, disse.
A rejeição da MP deve abrir um rombo de até R$ 35 bilhões no Orçamento de 2026, segundo cálculos do governo. A equipe econômica estima ainda um corte de R$ 7,1 bilhões em emendas parlamentares se o espaço fiscal não for recomposto.
Haddad ressaltou que a medida era fundamental para equilibrar o Orçamento e reduzir distorsões tributárias, inclusive sobre títulos isentos.
“Ela buscava diminuir a distância entre o que paga de imposto alguém que adquire um título público e o que paga quem investe em título incentivado”, afirmou.
O governo agora estuda novos caminhos legislativos e administrativos para recompor a arrecadação, como:
Retomada parcial da MP por meio de projetos de lei;
Ampliação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras);
Limite ao uso de créditos tributários;
Aumento da tributação sobre apostas e fintechs.
Durante a audiência, Haddad também endureceu o discurso contra o setor de apostas esportivas, que classificou como produtor de “externalidades negativas”, como o vício em jogos.
“As bets precisam dar uma contribuição pelos efeitos colaterais de um entretenimento que pode gerar dependência”, disse o ministro, destacando que o governo dispõe de tecnologia para enfrentar o setor caso o impasse avance.
O ministro afirmou que as reformas do consumo e da renda, já em curso, abrirão espaço para ajustes estruturais em temas como folha de pagamento e pejotização, fundamentais para a sustentabilidade das contas públicas.
“Vejo no Senado e em algumas lideranças da Câmara uma compreensão de que a queda da MP tem efeitos concretos. Não é apenas uma disputa política. Precisamos encontrar uma solução responsável para o Orçamento”, concluiu Haddad.
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