Política / Câmara Federal
Câmara resiste a punir Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli
Casa legislativa mantém impasses mesmo após decisões do STF e amplia desgaste institucional
01/12/2025
12:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Câmara dos Deputados segue evitando tomar decisões firmes sobre os casos de Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli — todos parlamentares do PL envolvidos em investigações e ações judiciais no Brasil e no exterior. A postura do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e a paralisia do Conselho de Ética configuram, na prática, uma política de tolerância que preserva mandatos, cargos e assessorias, mesmo diante de determinações do Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso mais recente envolve Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado a 16 anos e 1 mês pelo STF na ação da trama golpista e atualmente foragido nos EUA. Mesmo com ordem de prisão e decisão judicial de perda de mandato, a Câmara ainda não efetivou a cassação. Motta avalia se repetirá o rito usado para Carla Zambelli, enviando o processo à CCJ, ou se declarará a perda pela Mesa Diretora.
O cenário repete a postura diante de:
Está nos EUA desde março, alegando perseguição.
Faltou 50 sessões sem justificativa e não compareceu a nenhuma comissão.
Tem salários bloqueados, mas mantém nove assessores, custando R$ 132 mil mensais.
Tornou-se réu no STF por coação no curso do processo ao atuar no exterior para pressionar o Judiciário brasileiro.
O PL estuda usar o Artigo 53 da Constituição para tentar sustar a ação penal, o que agravaria o impasse.
Está presa na Itália, afastada do mandato por ordem do STF desde junho.
O processo de cassação já está na CCJ, mas parado há cinco meses.
O relator Diego Garcia (Republicanos-PB) deve apresentar parecer nesta terça-feira (2), último dia do prazo.
Em todos os casos, o Conselho de Ética da Câmara evitou abrir processos disciplinares, inclusive quando Eduardo Bolsonaro foi acusado de articular sanções internacionais contra o Brasil ao lado de Donald Trump.
O colegiado rejeitou o pedido por 11 votos a 7.
Vídeos e documentos obtidos pelas autoridades indicam que Ramagem se instalou em um condomínio de luxo em North Miami, Flórida, enquanto gravava vídeos e até votava remotamente utilizando atestado médico. Seu veículo, movimentações e registros de viagem foram identificados pela investigação.
A Câmara já havia votado em maio pela suspensão do processo no STF, sob o argumento de perseguição política, por 315 votos a 143. Isso indica dificuldade política de alcançar maioria para cassação em plenário.
A CCJ ouviu Zambelli por videoconferência diretamente do presídio italiano, além de testemunhas em duas sessões. A tramitação se arrastou por mais de dois meses, aguardando documentos do STF — que correm sob sigilo — e um parecer técnico interno sobre a possibilidade de uso dos autos.
A sucessão de impasses entre Câmara e STF expõe tensões entre Poderes e revela resistência de setores do Legislativo a cumprir decisões judiciais envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, recursos públicos continuam financiando assessorias e estruturas de parlamentares ausentes, foragidos ou presos, ampliando críticas sobre falta de accountability no Parlamento brasileiro.
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