Política / Eleições 2026
Caiado critica interferência estrangeira e diz que Milei fez “escândalo” no Brasil
Pré-candidato também atacou a diplomacia do governo Lula, defendeu negociação com os Estados Unidos e criticou a relação entre os Poderes.
28/07/2026
20:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) criticou, nesta terça-feira (28), a atuação dos governos dos Estados Unidos e da Argentina em episódios relacionados à eleição brasileira. Pré-candidato à Presidência da República, ele afirmou que Javier Milei fez um “escândalo” durante a convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
Durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, Caiado também criticou a condução diplomática do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que, caso seja eleito, pretende recuperar o que chamou de liturgia da Presidência da República.
“Você não pode ridicularizar conversas, baixando o patamar da discussão”, declarou o ex-governador, ao mencionar falas recentes de Lula sobre o presidente norte-americano Donald Trump.
Na sequência, Caiado condenou as declarações feitas por Milei em território brasileiro e também questionou a tentativa de integrantes do governo Trump de acompanhar ou avaliar o processo eleitoral do Brasil.
“Aí o outro vem aqui, faz escândalo e, de repente, se acha no direito de xingar presidente, xingar ministro. O outro se acha no direito de vir aqui saber como vai auditar as eleições. Calma lá. Devagar com o andor que o santo é de barro”, afirmou.
Durante a convenção do PL, realizada no sábado (25), Milei atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após não conseguir autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As declarações provocaram reação do governo brasileiro. O embaixador argentino foi convocado para prestar esclarecimentos, enquanto integrantes do Executivo elevaram o tom contra o presidente da Argentina.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a chamar Milei de “palhaço”. Lula, por sua vez, evitou responder diretamente às declarações do argentino.
Na mesma semana, o jornal norte-americano The Washington Post informou que funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos pretendiam vir ao Brasil para avaliar a transparência e a integridade das eleições. O Itamaraty negou os vistos aos integrantes da missão.
O governo dos Estados Unidos declarou que não pretendia interferir no processo eleitoral brasileiro.
Para Caiado, a política externa brasileira perdeu parte do prestígio construído ao longo de décadas. Ele acusou a chancelaria de atuar como extensão ideológica do Partido dos Trabalhadores.
“A chancelaria brasileira passou a ser um braço ideológico do PT”, afirmou.
Segundo o pré-candidato, o Brasil já teve maior influência e reconhecimento em organismos internacionais, mas perdeu capacidade de articulação por causa da polarização política e da condução das relações exteriores.
“A diplomacia brasileira podia chegar a qualquer grande órgão mundial e era referência. Chegava à ONU e sempre foi vista com muito respeito”, declarou.
Caiado defendeu que o presidente brasileiro dialogue diretamente com Trump para buscar uma solução para as tarifas impostas a produtos nacionais.
O ex-governador mencionou as sobretaxas norte-americanas que podem chegar a 37,5% sobre determinados produtos brasileiros. Para ele, o Brasil precisa negociar acordos envolvendo minerais críticos, terras raras, tecnologia e cadeias industriais.
Caiado afirmou que o país ocupa a posição mais vulnerável na relação comercial e que setores como indústria, comércio e agronegócio acabam prejudicados enquanto os líderes dos dois países mantêm uma disputa política.
“Temos como negociar, fazer parcerias, acordos internacionais e buscar tecnologia. O Brasil precisa parar de vender pau-brasil. Eles vendem um chipzinho da Nvidia e eu sou obrigado a carregar milhões de toneladas de soja. O Brasil ficou atrasado”, disse.
Na avaliação dele, o governo brasileiro deve priorizar o diálogo econômico e diplomático, evitando provocações públicas que dificultem a negociação.
Durante a sabatina, Caiado também criticou a distribuição das emendas parlamentares impositivas e afirmou que o país vive uma situação de desorganização institucional.
Segundo o pré-candidato, os limites entre Executivo, Legislativo e Judiciário estariam sendo ultrapassados, enquanto a Presidência da República perderia prerrogativas diante das pressões do Congresso Nacional.
“Você não sabe qual é o sistema político brasileiro. Você tem a área do Supremo invadindo o Congresso, o Congresso invadindo o Executivo e o Executivo sem saber para onde vai”, declarou.
Caiado afirmou que as emendas deveriam estar vinculadas ao plano de governo aprovado nas eleições e criticou repasses para organizações ou projetos sem relação com as prioridades escolhidas pela população.
“No presidencialismo, você tem um plano de governo eleito pela população. Você não tem plano de um deputado ou de um senador”, disse.
Ao abordar segurança pública, Caiado voltou a apresentar-se como defensor de medidas mais rígidas contra a criminalidade.
Ele afirmou que pretende apoiar uma proposta de emenda à Constituição para permitir a expropriação do patrimônio de condenados por feminicídio, com transferência dos bens para a família da vítima.
“Briga de marido e mulher não se mete a colher. O Caiado mete a algema e tornozeleira nesse vagabundo. Esse índice de feminicídio é algo que desmoraliza o país”, afirmou.
A pauta também integra a estratégia do pré-candidato para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, considerado decisivo na disputa presidencial.
Com as declarações, Caiado buscou diferenciar-se tanto do governo Lula quanto do grupo político de Flávio Bolsonaro, defendendo uma postura mais institucional nas relações internacionais, maior autonomia brasileira e limites mais claros entre os Poderes.
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