Justiça / Política
Mendonça sinaliza rigor no inquérito Dark Horse e afasta acusação de traição
Ministro do STF afirma a interlocutores que seguirá a lei na investigação sobre Flávio Bolsonaro, independentemente da indicação feita por Jair Bolsonaro
23/07/2026
15:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, indicou a interlocutores que não adotará qualquer tratamento diferenciado em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito relacionado ao filme Dark Horse. A avaliação atribuída ao magistrado é de que a apuração deverá seguir seu curso normal caso sejam encontrados elementos concretos de possível crime.
Nos bastidores da Corte, Mendonça tem afirmado que a gratidão pela indicação ao STF feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro não está acima de suas atribuições institucionais, de sua trajetória profissional e dos compromissos assumidos como ministro.
A posição também seria uma resposta à tentativa de classificar sua atuação como traição ao grupo político responsável por sua indicação. Segundo relatos, Mendonça rejeita essa interpretação e sustenta que decisões judiciais devem ser tomadas com base nos autos e na legislação.
O histórico da relação entre o ministro e Flávio Bolsonaro também reduz, nos bastidores de Brasília, a expectativa de eventual proteção. Durante as articulações para a vaga aberta no STF, em 2021, o senador não teria participado ativamente da campanha pela aprovação do nome indicado por Jair Bolsonaro.
Naquele período, Flávio demonstrava preferência por outros nomes, entre eles o então presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins. Durante a sabatina de Mendonça na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o parlamentar manteve atuação discreta, concentrada em conversas reservadas.
Nesta quinta-feira, 23 de julho, André Mendonça autorizou a abertura formal de um inquérito da Polícia Federal para investigar Flávio Bolsonaro em um desdobramento das apurações envolvendo o Banco Master.
A medida foi tomada a pedido da PF e contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu que havia elementos suficientes para o início da investigação.
O nome do senador apareceu no material reunido pelos investigadores após a localização de mensagens e áudios relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a apuração mencionada no procedimento, Flávio teria solicitado o repasse de R$ 134 milhões para a produção de um longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.
A origem, a destinação e a eventual movimentação desses recursos serão analisadas no curso do inquérito. Até o momento, não foi apresentada publicamente uma prestação de contas detalhada sobre os valores citados na investigação.
Os investigadores também apuram suspeitas de que parte do dinheiro possa ter sido direcionada a outras finalidades. Entre as hipóteses mencionadas está o possível financiamento da permanência do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, ponto que ainda depende de comprovação durante a apuração.
A abertura do inquérito não representa condenação nem confirmação das suspeitas. A investigação deverá reunir documentos, depoimentos e eventuais registros financeiros antes de qualquer conclusão sobre a existência de crime ou responsabilidade do senador.
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